: : : : : : : : : : : : : : : : :   PARQUE DOS CAPIVARAS   : : : : : : : : : : : : : : : :


 
Folclore enxadrístico

Nelson Lopes da Silva - Jorge Gomes Sanchez
Joaquim de Deus Filho - Luiz Gonzaga Alves Filho

Marcos André Souza X Salim Cohen


O GIGANTÃO
 


Luiz Gonzaga (Giga) em ação

          ...mas, voltando ao xadrez pensado, um jogador que tenha atravessado o cabo das Tormentas (enxadrísticas), isso após os 40 anos de idade, sofrerá um notável e natural decréscimo no rendimento do seu jogo, principalmente depois que a partida tiver ultrapassado um certo limite de tempo.

          Esse fenômeno tão comum e inevitável é conhecido nos meios enxadrísticos como “síndrome da terceira hora”.

         O conhecido e estimado enxadrista Luiz Gonzaga Alves Filho, não obstante sua idade cinqüentenária, é um dos mais ferrenhos e assíduos participantes de todos os tipos de competição. Um dia, ele confessou-nos, a nós no Clube de Xadrez São Paulo, que, após a terceira  hora  de  jogo,  ele  sente, aliás, pressente a presença de alguém às suas costas, um gigantão nebuloso (seria o titã Adamastor, de barbas negras e dentes amarelos, cantado em versos por Camões?), que, sorrateiro e mefistofélico, voz cavernosa, lhe sussurra anestesicamente ao ouvido:

-- Joga caca, Gonzaga!


        
  E o seduzido Gonza, num estupor de marujo apaixonado e bêbado, vai lá e... pumba! comete uma capivarada dessas de clamar aos céus. É evidente que uma melhor tradução para isso seria fadiga, estresse – provocando um curto-circüito mental de proporções lamentáveis.

          Um caso típico é sua partida contra o GM-A russo V. Salov (simultânea no CXSP, 04.11.96), quando, tendo fisgado um peixe enorme (ficou completamente ganho), ele deixou o seu ouvido ao alcance do canto das sereias...

          Pior: do gigantão descomunal!


                                                                                       (da minha crônica “O Gigantão”, Diário Popular, 11.01.97)


                                    Sua Majestade, o Capivara
                                          

        O grande Tartakower dizia: “No xadrez, se o erro não existisse, precisaria ser inventado”. Nesse caso, implicitamente ele consagrava a figura modelar do capivara – esse mestre no sedutor ofício de errar.
         O saudoso Ademazão (Adhemar Mendonça) garantia-nos de que “todo capivara tem uma imortal na cabeça!...”. A tragédia é que se um dia essa imortal acontecer, ele dificilmente terá a chance de vê-la publicada, irradiando para todos a beleza de sua inspiração.
         Por capivara deve-se entender o principiante ou mesmo aquele que joga há algum tempo, mas que, devido a seus afazeres, não tem tempo para se esmerar na técnica das aberturas, do meio-jogo e dos finais.
         O grande engano, portanto, é julgar que um capivara seja um néscio na vida comum, uma pessoa sem muita destreza mental. Muito pelo contrário! Conheci (e conheço) capivaras inteligentíssimos, capazes de se emular com as mais consagradas cerebrações conhecidas. No entanto, sua inaptidão no manejo dos trebelhos aliada à sua falta de tempo tornam-nos presa fácil até de bisonhos adversários.
         Revistas e livros estão cheios de partidas de capivaras... perdendo, é claro. Há até quem garanta que Blackburne (1841-1924), cognominado de “a morte negra” por sua irrefreável disposição para o ataque, tenha se tornado mais conhecido por sua famosa e espetacular derrota diante de Zukertort (1842-1888) do que por todas as partidas ganhas por ele.
         A idéia deste parque tem por objetivo prestigiar aqueles jogadores que ainda não alcançaram o estrelato e, assim, não tiveram suas partidas publicadas.
Este recanto deverá ser o refúgio desses capivaras, que vez em quando “cometem” partidas interessantes ou mesmo divertidas.
         Nossa meta será a de fazer uma triagem do material que nos for enviado, verificar a autenticidade de sua origem, analisar e publicar (gratuitamente) aquelas partidas que servirão de algum modo como estímulo e/ou orientação desse pessoal tão esforçado.


 


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