: : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :   CRÔNICAS    : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :
de
Hélder Câmara


   31/07/2005                 

Gelfand e Volokitin vencem o 38º Festival de Biel



B. Gelfand, Almira Scripchenko e  A.Volokitin
 

     O 38º Festival de Biel, na Suiça, reuniu este ano, entre 17 e 29 deste mês, alguns dos mais promissores GMs da nova geração, entre os quais Magnus Carlsen (30.11.1990 Noruega 2528), Hikaru Nakamura (09.11.1987 Osaka 2660), naturalizado norte-americano e atual campeão dos EUA, e Andrei Volokitin (11.06.1986 Ucrânia 2671, além dos “coroas” Christian Bauer (11.01.1977 França 2641), Yannick Pelletier (22.09.1976 Suiça 2603) e Boris Gelfand (24.06.1968 Israel 2724).
 
     Na tabela final, 1/2) Gelfand e Volokitin, com 6 pontos em 10 possíveis; 3) Pelletier, 5; 4/5) Nakamura e Bauer, 4.5; 6) Carlsen, 4.

                       
                               
Nakamura: “Acontece...”

      Até a sétima rodada, Nakamura liderava sozinho, com 4.5 pontos, essa prova cujo rate-médio era de 2641 pontos-ELO, categoria 16. Depois disso, o desastre: perdeu surpreendentemente nas três últimas rodadas, na pior atuação de sua brilhante carreira.
                        
                                
                                      
                   
WGM Almira Scripchenko                                   WGM Subbaraman Vijayalakshmi


      Entre as mulheres, Almira Scripchenko (França, 2437) e Subbaraman Vijayalakshmi (Índia, 2414) dividiram a primeira colocação com 6.5 pontos em 10 possíveis. Nas demais colocações, 3) I. Gaponenko, 6; 4) E. Paehtz, 4.5; 5) E. Sedina, 3.5; 6) E. Korbut, 3.


                                              
                                          Y. Pelletier                                                                     H. Nakamura


      Y. Pelletier (2603) x (2660) H. Nakamura (9ª rod. Biel, 26.07.2005 – I. Rei, E 97).

      1 d4 Cf6 2 Cf3 g6 3 c4 Bg7 4 Cc3 0-0 5 e4 d6 6 Be2 e5 7 0-0 Cc6 8 d5 Ce7 9 b4!? Atualmente, esta variante Taimanov, com o seu imediato assalto à ala da dama, é a preferida dos GM-As para combater a valorosa defesa Índia do Rei.

      9...Ch5

      A linha principal, liberando o avanço ...f5 e movimentando a ala do rei de competência das pretas. Gufeld sugere antes o profilático 9...a5, “que reduz o apoio do avanço c4-c5”. No entanto, Pachman observou-me pessoalmente (Nethanya, 1973) quejogar 9...a5 é ilusório, pois não detém a expansão das brancas na ala da dama e ainda anima a luta no terreno do adversário”. E deu-me este exemplo: 9...a5 10 Ba3! b6 11 bxa5! Txa5 12 Bb4 Ta8 13 a4!, seguido de 14 a5, deixando as brancas numa posição invejável.

      10 Te1 f5 11 Cg5!   (diag. 1)
 


 

      Outra vez, Gufeld: “Uma continuação de princípio. O cavalo se dirige à debilitada casa e6, com a clara intenção de sacrificar um peão, desde que consiga incrementar o potencial dinâmico de suas peças”. Não é melhor o imediato avanço 11 c5, em vista de 11...fxe4 12 Cxe4 Cf4! 13 Bxf4 Txf4 14 Cfd2 dxc5 15 Bc4 Rh8 16 Cxc5 Cxd5 17 Cde4 c6 18 b5 Tf8 19 Tb1 e aqui, no lugar de 19...Cb6?! 20 Dxd8 Txd8 21 Cg5 com posição superior (Kramnik x Gelfand, Novgorod 1996), as pretas devem conservar as damas com 19...Dc7.

      11...Cf6 12 Bf3!

      Um reforço para as brancas, notabilizado no encontro Kramnik x Judit (1-0 in 44, Viena 1996), tornando ainda mais exeqüível o sacrifício de peão em e6.

      12...c6!? 13 b5 h6

      A maioria prefere 13...cxd5 14 cxd5 e agora então, 14...h6. Exemplo: 15 Ce6 Bxe6 16 dxe6 fxe4 17 Cxe4 Cxe4 18 Bxe4 d5 19 Ba3 dxe4 20 Dxd8 Tfxd8 21 Bxe7 Te8 22 Bc5 Txe6, com rápido esvaziamento da posição, ½-½ in 29. Pelletier x Gallagher, Alemanha 2002.

      14 Ce6 Bxe6 15 dxe6 Da5

      Poderíamos chegar na análise anterior, após 15...fxe4 16 Cxe4 Cxe4 17 Bxe4 d5 18 cxd5 cxd5 19 Ba3, com empate à vista.

      16 Bb2

      O Deep Shredder-9 sugere 16 Bd2, aferindo +0.92 de vantagem para as brancas.

      16...fxe4 17 Cxe4 Cxe4 18 Txe4!? d5 19 cxd5 cxd5 20 Txe5!?  (diag. 2)

 


      Um sacrifício de qualidade que não consta sequer entre as três principais possibilidades analisadas pelo DS-9, levando-nos a crer seja o mesmo mais especulativo do que correto.

      20...Bxe5 21 Bxe5 Dxb5 22 Tb1 Dc6 23 Ba1!

      Preparando o famosoestilingue” Ba1-Dd4 de efeito devastador.

      23...Tf4 24 g3! Tc4

      No caso de 24...Txf3? 25 Dd4! Rf8 26 Dh8+ Cg8 27 Dg7+ Re8 28 Dxg8+ Tf8 29 Dxg6+ Re8 30 Te1, ganhando.

      25 Dd2 Dc5 26 Bf6! g5?!   (diag. 3)


       Era melhor 26...Cf5!? 27 Bxd5 Td4! 28 Bxd4 Dxd5 29 Bd2 Dxd2 30 Bxd2 b6 e as pretas, mesmo inferiores, ainda poderiam oferecer alguma resistência, +1.94 DS-9.

      27 Txb7! Tc1+ 28 Rg2 Dc4

      Este último lance, típicoquem sabe, ele não ”, revela o tremendo apuro de tempo de ambos, posto que nem Paulo Chang, príncipe dos capivaras, deixaria de notar a ameaça de mate Df1#.

      29 De2!?

      Mais forte seria 29 Dxc1! Dxc1 30 Txe7 Tf8 31 Tg7+ Rh8 32 Tc7+ etc. +-6.79 DS-9.

      29...Dxe2 30 Bxe2 Cf5 31 Bg4, 1-0.

      Depois de 31...Tf8 32 e7! Te8 33 Bxf5 Rf7 34 Bd7 Txe7 35 Bxe7 Rxe7 36 Txa7, qualquer resistência seria inútil.    


                        
                 
           Biel/2005: Nakamura, Pelletier, Carlsen, Bauer, Volokitin e Gelfand


                         
                                    Biel/2005: Elena Sedina, Inna Gaponenko, Elisabeth Pähtz, Almira
                                       Schipchenko, Subbaraman Vijayalakshmi e Ekaterina Korbut.
 


 Estudos e problemas
 

790   A    (L. Prokes, Schweizer Arbeiterschach, 1949) 1 Bf5! Rxh1 2 Be4+ Tg2                                
                 3 Re1! Rg1 4 Be3+ Rh1 5 Bd4! exd4 6 Rf1 d3 7 Bxg2#.


         B     (J. Abbott, English Chess Problem, 1876) 1 Th4! f5 2 Tf4!! Rxf4/Rf6 3                          
                 Bd6/Cg4#; 1…Rf5 2 Th5+ Rf4 3 Bd6#.

 

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