: : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :   CRÔNICAS    : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :
 

   Melody Amber 2002 - 2
 

Kramnik e Topalov não repetiram suas soberbas e vitoriosas atuações do
ano passado

 

 

A - Br. jogam e ganham



B - Mate em 3 lances

 

      O XI Amber Blindfold and Rapid Tounament, realizado entre 16 e 28 deste mês em Monte Carlo, atingiu plenamente seu colimado objetivo, mercê de suas movimentadas partidas, seus tenacíssimos combates que mantiveram até a última rodada um incomum rodízio de lideranças.

     Com um rate-médio de 2669 pontos-ELO, cat. 18, o quadro final desse torneio apresentava os seguintes números:

     Rápidas (25m a finish + 10s por lance executado) 1. Gelfand 7.5, em 11 possíveis; 2/3. Topalov, Ivanchuk 7; 4/6. Leko, Shirov, Bareev 6.5; 7. Morozevich 6; 8. Kramnik 5.5; 9. Piket 4.5; 10. Almasi 4; 11. Ljubojevic 3; 12. Van Wely 2.

     Às cegas (25m a finish + 20s por lance executado) 1. Morozevich 9; 2. Shirov 8; 3. Leko 7; 4. Ivanchuk 6; 5/6. Kramnik, Bareev 5.5; 7/8. Almasi, Topalov 5; 9/10. Gelfand, Piket 4.5; 11. Van Wely 4; 12. Ljubojevic 2.

     Combinadas — 1. A. Morozevich 15 em 22 possíveis; 2. A. Shirov 14.5; 3. P. Leko 13.5; 4. V. Ivanchuk 13; 5/7. B. Gelfand, V. Topalov, E. Bareev 12; 8. V. Kramnik 11; 9/10. Z. Almasi, J. Piket 9; 11. L. Van Wely 6; 12. L. Ljubojevic 5.

     P. Leko (2713) x (2809) V. Kramnik (4ª rod. Amber, rapid, 19.03.2002 - Espanhola, C 95)
1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bb5 a6 4 Ba4 Cf6 5 0-0 Be7 6 Te1 b5 7 Bb3 d6 8 c3 0-0 9 h3 Cb8!?
Segundo a teoria, essa é “uma antiga continuação introduzida na prática pelo genial GM húngaro Gyula Breyer (1894-1921). Sua idéia é tanto simples quanto lógica: manter a tensão central que se avizinha (10 d4) com o cavalo que, recolocado em d7, desobstruirá a diagonal a8-h1 para a devida intervenção do bispo de c8, além de liberar o fundamental avanço de seu peão-c”.

10 d4 Cbd7 11 Cbd2 Bb7 12 Bc2 Te8 13 b3!?
A orientação posicional das pretas deve ser no sentido de definir a tensão central, quando, depois de ...Bf8, elas estarão alvejando o peão de e4 com o cavalo de f6, o bispo de b7 e a torre de e8 — e um possível ...exd4; dessarte, as brancas se apressam em preparar o avanço d5, mas com o efetivo suporte de c4 e b3.

13...Bf8 14 d5 c6 15 c4 Cb6!?
Lance raro, quando o padrão é 15...Dc7, sem definir por enquanto o salto do cavalo, se em b6 ou c5.

16 Bd3 Cfd7!
A meta principal da pretas é solapar de todas as maneiras possíveis essa insuportável cadeia de peões brancos centrais — não só com o que está posto, b5xc4 e/ou c6xd5, mas também com ...f5xe4.

17 Ba3 cxd5 18 cxd5 f5! 19 exf5 Cxd5
E o meu Chess Tiger 14.0 já aponta uma pequena vantagem de -0.14 para as pretas, não obstante a formação de seus peões se constituir de “três ilhotas”, como denominava
Capablanca.

20 Ce4 C7f6
O Tiger anota o considerável índice de -1.l8 para 20...Cf4! 21 Ceg5 Df6 22 Bb2 Cxd3 23 Dxd3 Cc5 24 Dc2 Tec8 25 Bc3 h6 26 Ce6 Cxe6 27 fxe6 Dxe6 e as pretas, numa posição aberta, teriam o par de bispos e um peão de vantagem.

21 Cfg5 Cf4 22 Bc1
Depois disso, a luzinha do Tiger avermelhou-se, anotando a assustadora cifra de -1.62: 22...Cxd3 23 Dxd3 Cxe4 24 Cxe4 d5 25 Cg3 Df6 26 Bd2 Bc5 27 Tac1 Tac8 28 Be3 Bb4-+.

22...Cxd3 23 Dxd3 Cxe4 24 Cxe4 d5! 25 Cg3
No caso de 25 Cg5? e4! 24 Dd4? Be7! 25 Ce6 Bf6! ganhando; a posição aberta, o total domínio do centro e esse par de bispos tesourando o tabuleiro estabelecem que as pretas já estão ganhas.

25...e4! 26 Dd2 d4!
Para saber qual desses infantes centrais é o “peão de
Keres”, ou seja, aquele que se infiltrará no campo adversário até ser destruído ou transformar-se em dama, basta examinar qual peça pesada o patrocina.

27 Bb2 Bc5 28 Tac1 Bb6
Quem poderia destruir ou sequer minimizar a ação daquele ninho de metralhadoras em b6 e b7, apontadas diretamente para o rei branco em g1?

29 Df4 Dd5 30 Tc2
O Tiger tenta em vão aliviar a pressão com 30 Dg4, mas depois de 30...e3 31 Ch5 Df7 32 fxe3 Te4 33 Dg5 h6 34 Dg6 Dxg6 35 fxg6 d3! e as brancas perderiam.

30... e3! 31 fxe3 Tac8!
Todas as peças pretas participam da luta, como se fossem partes soltas, mas diabolicamente coordenadas, de um estranho e mortal quebra-cabeça.

32 Td2 Txe3!?

33 Txe3 dxe3! 34 Te2?
Mesmo perdendo a qualidade, era melhor 34 Txd5 e2+ 35 Rh2 e1=D 36 Td4!?, com um desastre de -1.74. Agora, sem se iludir com o fantasioso 34...Dxg2+?! 35 Txg2 e2+ 36 Rh2 e1=D 37 Ce4!, Vladimir, o pragmático, arremata com precisão.

34...Tc2! 35 Dg4?
Pouco adiantaria 35 Db8+ Rf7 36 De5!? Dxe5 37 Bxe5 Be4!! 38 Rh2 Bxf5! E a posição das brancas é desesperadora.

35...Txb2! 36 f6 g6 37 f7+ Dxf7, 0-1.

V. Ivanchuk (2717) x (2809) V. Kramnik (9ª rod. Amber, às cegas, 26.03.2002 - Espanhola, C 85)
1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bb5 a6 4 Ba4 Cf6 5 0-0 Be7 6 Bxc6!
Percebendo que nesse torneio Vladimir vinha adotando a variante “normal” da Espanhola no lugar de sua preferida Berlinense (3...Cf6), Vassily Ivanchuk preparou essa Retardada Variante das Trocas, quando, segundo a teoria, “as pretas já desenvolveram seu cavalo impedindo assim a natural defesa do peão-e5 com ...f6 e o bispo também já desenvolvido em e7 vai jogar mais uma vez (...Bd6), se quiser defender seu peão central”. Segundo os adeptos dessa continuação, isso já seria razão suficiente para a entrega do par de bispos.

6...dxc6 7 d3 Cd7 8 Cbd2 0-0 9 Cc4 f6 10 Ch4!?
O maior esteio dessa variante é jogar 10 d4 e ficar “com um peão de vantagem” na ala do rei, posto que aquele acavalamento em c6/c7 não conta num final como se fossem dois peões.

10...Cc5 11 Cf5
Ou então, 11 Df3 Tf7! 12 Cf5 Bf8 13 Be3 Ce6 14 h4 b5! 15 Cd2 c5 16 Dg3 Rh8 17 h5 Td7 18 Cf3 De8 19 Dh4 Bb7 20 Ch2 c4! 21 dxc4 bxc4 22 c3 Tad8 23 f3 Df7 e donas das casas brancas do tabuleiro, as pretas se impuseram, 0-1 in 53. Ivanov-Shabalov, Virginia Beach/USA 2002.

11…Bxf5 12 exf5 Dd5
Há pouco, ocorreu 12...Dd7 13 Df3 Tfe8 14 Be3 Dd5 15 Cd2 Dxf3 16 Cxf3 e4! Com igualdade, ½-½ in 48. J. Geller-Frakhov, Vladimir/RUS 2002; essa idéia interessante vem de 12...Te8! 13 Be3 e4! 14 dxe4 Cxe4 15 Dg4 Dd5 16 Bh6 Bf8 17 Ce3 Df7 18 Tfd1 Bc5 e as pretas venceram, 0-1 in 35. Jansa-Smyslov, Oberhausen/ALE 1961.

13 Dg4 Te8 14 Te1! e4?!
Vladimir persegue o mesmo objetivo de seus antecesores....

15 Ce3! De5 16 Cf1 Bf8 17 Cg3 Tad8!?
A luta gira em torno desse condenado peão de e4; Vladimir parece não se conformar com o logro de que foi vítima e busca uma compensação envolvendo perigosas nuanças táticas.

18 h4!
Já podia 18 dxe4 Dd4 19 c3 Dc4 20 Be3 Cd3 21 Te2 Ce5 22 Df4 Bd6 23 Bd4 Bc5 24 Bxc5 com +0.86 de vantagem, conforme o Tiger.

18...Dd4 19 dxe4 Dc4 20 Be3 Cxe4!?
O Tiger antecipa os dez próximos lances, sentenciando ao seu final uma insignificante vantagem para as brancas de +0.30 pontos.

21 b3 Dxc2!? 22 Tec1! Dd3 23 Td1! Dxd1+!? 24 Txd1 Txd1+ 25 Dxd1 Cxg3
Já agora, na soma dos botões, ou seja, orientado pela contagem material, o Tiger registra para as brancas a considerável soma de +1.20 pontos.

26 Dd3! Ce4 27 Dc4+ Rh8 28 Df7!
E será essa avassaladora incursão da dama na sétima fileira, escravizando uma torre capaz de defender o bispo de f8, mas impotente para impedir a razia na ala da dama, que decidirá o cotejo.

28...Td8!?
Numa partida às cegas, um lance assim é veneno puro: 29 Dxc7?? Td1+ 30 Rh2 Bd6+, ganhando.

29 f3! Cc3 30 Dxc7! Td1+ 31 Rf2 Rg8 32 Dc8! Td5?
O único meio para continuar lutando seria 32…Cb5!? 33 Dxb7 Bb4 34 g4 a5, mas mesmo assim a posição das pretas seria sem esperança.

33 Bc5!! Txc5 34 De6+ Rh8 35 Df7! Ce4+ 36 fxe4 Tc2+ 37 Rf3 Tc3+ 38 Re2, 1-0.


Soluções
631 A (M. Michailov, Shahmaty Misel, 1956 - 1º pr.) 1 g7! Cxg7 2 f6+ Rf8 3 Cc5! A2! 4 Rxa2 Cc3+ 5 Rb3 Ba3! 6 Rxa3 Cb5+ 7 Rb4 Cd6 8 Ccd7+ Rg8 9 f7+!! Cxf7 10 Cf6+ Rh8/f8 11 Cg6#.
B (L. Kubbel, Problemas Selecionados, 1941) 1 Rc4! Rd2 2 Dd3+ Rc1/e1 3 Dc2/e2#; 1...g3 2 Rc3! G2 3 Df3#.

 

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