: : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :   CRÔNICAS    : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :
 

  Dortmund - 3
 

 

    A tabela final do supertorneio de Dortmund, na Alemanha (julho, 12-22) registrou um desfecho surpreendente em suas extremidades, sendo que a vitória de Veselin Topalov, compartida com o atual campeão mundial da BGN Vladimir Kramnik, consagra o sucesso de seu árduo trabalho técnico/teórico, a par de seu extraordinário domínio estratégico.

     Na secular história do nosso xadrez, ainda não fora registrado nenhum desastre igual a esse ocorrido agora com Viswanathan Anand: um campeão mundial, em plena vigência de seu título, situar-se isolado em último lugar, sem conseguir ganhar de ninguém e sem nenhuma plausível desculpa a lhe justificar o vexame de uma apática e condenável atuação.

     Com quatro derrotas e seis empates, não podemos sequer exaltar-lhe o empenho combativo, uma vez que a soma de lances de seus seis empates (142) acusa uma média de 23 lances por partida, ou seja, insuficientes até para vencer um GM de meia-tigela.

     Na entrevista à Imprensa, Anand disse que não encontrava nenhuma explicação para a sua performance e que sua meta imediata era ‘‘apagar do meu hard-disk o mais depressa possível essa má atuação’’.

     Ele pode até conseguir isso, mas nós é que não podemos nos esquecer de que o amarrotado título que ele tem em mãos já pertenceu a Mikhail Tal e dignificou a incompreendida genialidade de Bobby Fischer.

 

Kramnik (2802) x (2794) Anand (7ª rod. Dortmund, 21.07.01 — GD Aceito, D 27)
1 d4 d5 2 c4 dxc4 3 Cf3 e6 4 e3 Cf6 5 Bxc4 c5 6 0-0 a6 7 Bb3 cxd4 8 exd4 Cc6 9 Cc3 Be7 10 Bg5 0-0 11 Dd2 Ca5 12 Bc2 b5 13 Df4! Ta7 14 Tad1 Bb7 15 d5 Bxd5 16 Cxd5 exd5 17 Dh4! h5 18 Tfe1 Cc6 19 g4! Dd6 20 gxh5 Db4 21 h6 Dxh4 22 Cxh4 Ce4 23 hxg7 Tc8 24 Bxe7 Cxe7 25 Bxe4 dxe4 26 Txe4 Rxg7 27 Td6! Tc5 28 Tg4+ Rh7 29 Cf3 Cg6 30 Cg5+ Rg7 31 Cxf7! Txf7 32 Tdxg6+ Rh7 33 T6g5! Txg5 34 Txg5 Tc7 35 a3! b4 36 axb4 Tc1+ 37 Rg2 Tb1 38 Ta5! Txb2 39 Ta4!!, 1-0.

Adams (2744) x (2749) Morozevich (7ª rod. Dortmund, 21.07.01 — Francesa, C 03)
1 e4 e6 2 d4 d5 3 Cd2 Be7 4 e5 c5 5 dxc5 Cc6 6 Cgf3 Bxc5 7 Cb3 Bb6 8 Bd3 f6 9 De2 fxe5 10 Cxe5 Cf6 11 0-0 Cxe5 12 Dxe5 0-0 13 Bg5 Bc7 14 Dd4 h6 15 Bh4 e5! 16 Dc5 Be6 17 Tad1 Tc8! 18 De3 e4! 19 Bxe4 Bxh2+ 20 Rh1 Dd6 21 Bxf6 Bf4! 22 Df3 Txf6 23 Bxd5 Be5! 24 Bxb7 De7 25 De4 Tf5 26 Tfe1 (26 Bxc8 Th5+ 27 Rg1 Bh2+ 28 Rh1 Bf4+! 29 Rg1 Th1+!!-+) 26...Tf4! 27 De3 Th4+!, 0-1.


 

 

Autópsia de um fracasso (3)
 


     O presente artigo encerra o trágico registro de uma atuação deplorável. Anand não encontra explicação para o que lhe aconteceu. Último lugar, isolado, em sua primeira e real prova de fogo após a obtenção do título máximo da Fide -- um torneio Categoria 21. Quando muito, ele pode ser indicado para o prêmio Nobel de Física, ao transformar seu outrora cobiçado cetro de campeão mundial numa lamentável lanterna. E o que é mais grave, sua atuação leva-nos a reconhecer que "a turma do lado de lá" (Kasparov, Kramnik) está verdadeiramente alguns furos acima e além desses "turistas do tabuleiro magistral", que só se diferenciam entre si pela idade ou pela nacionalidade, mas não pela qualidade de sua técnica enxadrística.

V. KRAMNIK (2802) x (2794) V. ANAND (9ª rod. Dortmund Sparkassen Chess Meeting 2001, 21.07.01 -- GD Aceito, D 27)

      1 d4 d5 2 c4 dxc4
     Até parece que esses adversários têm um tácito acordo de empregar essa variante sempre que se encontram, sendo que só este ano, por exemplo, essa é a sétima vez que eles a adotaram entre si.

     3 Cf3 e6 4 e3 Cf6 5 Bxc4 c5 6 0-0 a6 7 Bb3 cxd4 8 exd4 Cc6 9 Cc3 Be7 10 Bg5
     Antes, Volódia (apelido familiar de Vladimir) preferira 10 Te1 0-0 11 Bf4 Ca5 e aqui, 1) 12 d5 Cxb3 13 Dxb3 exd5 14 Tad1 Be6 15 Dxb7 Bc5 16 Be5 Da5 17 Cd4 Bxd4 18 Txd4 Cd7 19 Bd6 Cc5 20 Dc7 Dxc7 21 Bxc7 Tfc8 22 Bg3 Ce4 23 Cxd5 Bxd5 24 Txd5 Cxg3 25 hxg3 g6 26 T1d2 Tc1+ 27 Rh2 e depois de um vibrante final de torre, as pretas se salvaram milagrosamente, ½ - ½ in 76. Kramnik-Anand, Amber Rapidplay, Mônaco 2001; 2) 12 Bc2 b5 13 d5! exd5 14 Dd3 Cc6 15 Bc7!? Dd7 16 Ce5 Cxe5 17 Bxe5 g6 18 a4 Bb7 19 axb5 axb5 20 Dxb5 Dxb5 21 Cxb5 Txa1 22 Txa1 Tc8 23 Bd3 Cd7 24 Bc3 Cc5 25 Bf1 Ba6 26 Cd4, ½ - ½. Kramnik-Anand, m/9 Mainz Champions Duel 2001.

     10... 0-0 11 Dd2 Ca5
     Ainda há pouco, Vishy seguiu com 11...h6 12 Bf4 (12 Bxf6 Bxf6 13 Tad1 Ca5 14 Bc2 b5 15 b3 Bb7 16 Ce4 Tc8! 17 Bb1 Bxe4 18 Bxe4 Cc6 19 Tfe1 Ce7! 20 Bb1 Cd5 21 Dd3 g6 e as pretas têm um jogo preferível, embora ½ - ½ in 72. Gelfand-Shirov, FIDE WCC, New Delhi 2000) 12...Te8 13 Tad1 Bf8 14 Ce5 Ce7 15 Dd3 Ced5 16 Bc5 b5 17 Dg3 Bb7 18 Bxh6 Cxc3 19 bxc3 Ce4 20 Dg4 Cf6 21 Dg5 De7 22 Td3 Ce4 23 Dg4 Cf6 24 Dg5 Ce4 25 Dg4 Cf6, ½ - ½. Kramnik-Anand, m/4 Mainz Champions Duel 2001.

     12 Bc2 b5 13 Df4 Ta7 NT-diag.1
    Alguns analistas viram nessa novidade teórica uma imitação mal-acabada da engenhosa manobra adotada por Morozevich para, na Defesa Eslava, colocar em jogo na sétima fileira sua torre de a8. No entanto, depois do convencional 13...Bb7 14 Tad1 g6 15 Bh6 Ch5 16 Dg4 f5 17 Dh3 Tc8 18 d5! b4 19 dxe6 Bd6 20 Tfe1! Te8 21 Ba4 Te7 22 Bd7 bxc3 23 Txd6 cxb2 24 Bg5 Tc4 25 Tdd1 as brancas se impuseram, 1-0 in 39. Tkachiev-Lesiege, FIDE WCC, New Delhi 2000.
     A pergunta é essa: se 13...Ta7 não convence e 13...Bb7 é precário, será que a posição das pretas já está comprometida? Se assim for, então esta partida estava decidida antes de ser começada...

     14 Tad1 Bb7
     Quem sabe, Vishy queira bater o recorde de lances estranhos... Esse aí, então, é o equivalente a por uma criança sobre seus ombros, para ele enxergar por sobre a multidão, mas com a incoerência de, em seguida, você lhe colocar uma venda.

     15 d5! - diag.2
     Esse avanço temático explica por que as brancas não se incomodam um mínimo em isolar seu peão (8 exd4). E outra, se as pretas conseguissem bloquear seu avanço, teriam uma posição promissora.

     15... Bxd5
     No caso de 15...exd5 16 Dh4 h6 (16...g6 17 Ce4!+-) 17 Bxh6 gxh6 18 Dxh6 e as pretas estariam perdidas, ante as inúmeras e indefensáveis ameaças, Td4/Tg4, Ce4 ou Cg5. Se 15...Cxd5 16 Cxd5 Bxd5 17 Txd5! exd5 (17...Dxd5 18 Bxe7 Txe7 19 Dh4+-) 18 Bxh7+ Rxh7 19 Dh4+ Rg8 (19...Rg6 20 Ce5+ Rf4 21 Dg4+! Rxe5 22 Bf4+!! Rf6 -- se 22...Rd4 23 Bd6+ Rd3 24 Td1+ Rc2 25 De2# -- 23 Te1!+-) 20 Bxe7 Dxe7 21 Cg5, ganhando.

     16 Cxd5 exd5
     Se 16...Cxd5, teríamos então toda a sequência anterior até 21 Cg5+-. Alguns crêm ainda seja dificultosa a vitória das brancas, após 21...Dxg5 22 Dxg5 Td7, apoiando suas esperanças na criação desse peão-bala na coluna-d. Segundo Shipov, não é fácil que as brancas obtenham algum sucesso com 23 h4 d4 24 h5 Td6! Aqui, o Fritz-6.0 sugere 25 a4! e garante que as brancas detêm uma superioridade de +-1.59 (a princípio, eu pensei que o Fritz estivesse fazendo uma avaliação contábil, material, sem levar em conta as contrachances das pretas).
     Por exemplo (diz o Fritz), se 25...Tb8 26 Te1 d3 27 Td1! Cc6 28 Txd3!! f6 29 Dd2 etc. O fato é que Anand não quis se arriscar diante do "pragmático Volódia". Isso nos remete àqueles ilustrativos conselhos: "se Botvinnik sacrificar, decline; se Tal sacrificar, tome; se Fischer sacrificar, examine; se Petrosian sacrificar, abandone".

     17 Dh4! h5!?
     O Fritz analisa 17...h6? 18 Bxh6 gxh6 19 Dxh6 Tc7 20 Cd4 Txc2 21 Td3 Cg4 22 Tg3 Dd7 23 Dh5! (+-4.06). E se 17...g6!? 18 Tfe1 h6 19 Bxh6 Tf8 20 Bg5 Ch7 21 Bxe7 Taxe7 22 Txe7 Dxe7 23 Dxe7 Txe7 24 Txd5 Te2 25 Td2! (+-1.09).

      18 Tfe1
     A indicação do Fritz é 18 Cd4!?, mas a soberba formação da escola soviética prevê a participação de todas as peças na luta. Aliás, se o lance 18 Cd4 fosse definitivo, ganhador, é bem possível que mesmo assim a mão de Volódia, num arremedo inconsciente e natural do Dr. Strangelove, executasse o lance do texto. A variante 18 Bxf6 Bxf6 19 Dxh5 g6! 20 Dxd5 (20 Bxg6? fxg6 21 Dxg6+ Tg7!-+) 20...Dxd5 21 Txd5 Bxb2= conduziria ao empate.
     Nas análises post-mortem, Kramnik apreciava a continuação 18 Cd4! Ce4 19 Bxe7 Dxe7 20 Dxh5, "com significativa superioridade", segundo ele próprio. Vocês perguntarão por que ele, então, não seguiu assim. E eu lhes responderei: ele bem que queria, mas sua mão o impediu...

     18... Cc6 -- diag. 3
    Não resolvia 18...Dc8 19 Cd4 Dg4 20 Dxg4 hxg4 21 Bd2! Bd8 22 Bb4 Te8 23 Txe8+ Cxe8 24 Bf5 g6 25 Bxg4 Cf6 26 Bf3 Td7 27 b3, com muita superioridade.

     19 g4! Dd6
     Nem há melhor; se 19...Cb4 20 Bb1 Tc7 21 gxh5 Tc4 22 Cd4 Cc6 23 h6 Cxd4 24 Txd4 Txd4 25 Dxd4 Te8 (25...g6 26 Txe7! Dxe7 27 Bxf6+-) 26 hxg7, com posição vitoriosa.
     Para que o ataque das brancas seja concluído com um nocaute, é mister que se conservem as damas no tabuleiro -- daí, por que Anand procura essa troca desesperadamente. De fato, se observarmos bem a disposição das peças, notaremos que apenas a torre de d1 não participa a pleno da escalada na ala do rei.

     20 gxh5 Db4
     Para as pretas, não seria interessante manter as damas com 20...Ch7 21 Bf4 Db4 (21...Bxh4 22 Bxd6+-) 22 Dg3 e Volódia voltaria à carga com seu ataque.

     21 h6!
    
Capablanca puro! O campeão mundial da BGN troca seu promissor ataque (em que ele não parecia à vontade ao conduzi-lo) por um final nitidamente superior e sem riscos -- que é sua verdadeira praia. Ou seja, como faria o genial cubano José Raul Fausto de Capablanca y Graupera.

     21... Dxh4 22 Cxh4 Ce4?!
     Não adiantava muito, mas era bem melhor 22...gxh6 23 Bxh6 Td8. A idéia de Anand é perder um peão, desde que assome a um final de torre (quando a desvantagem de um peão é de somenos importância), fugindo a esse meio-jogo escancarado em que ele tem um peão isolado e o seu adversário, um par de bispo e uma melhor disposição de peças.

     23 hxg7 Tc8
     Se 23...Td8? 24 Bxe7 Txe7 25 Cf5 Te5 26 Bxe4 dxe4 27 Txd8+ Cxd8 28 Cg3 f5 29 f3 e3 30 f4!+-.

     24 Bxe7 Cxe7 25 Bxe4 dxe4 26 Txe4 Rxg7-diag.4
     Não servia 26..Tc2, em vista do demolidor 27 Tg4! Ta8 28 Td7 Te8 29 b3!!, ganhando.

     27 Td6! Tc5
     Outra vez, era insuficiente 27...Tc2 28 Tg4+! Rh7 29 Tf6 Cg8 30 Tf5 Tc6 31 Tg3! e as chances de sobrevivência das pretas seriam menores ainda.

     28 Tg4+ Rh7 29 Cf3! Cg6
     O Fritz, nervos de silício, recomenda 29...Td5!?, mas tanto 30 Tb6 quanto 30 Cg5+!? Rg7 31 Ce4+ Rf8 32 h4+/-, as brancas seguiriam superiores.

     30 Cg5+ Rg7 31 Cxf7!
     Nessas alturas, o Fritz registra um vitorioso índice de +-2.16. Mas esse capcioso final a que vamos chegar reserva ainda algumas surpresas, senão Vishy, dois peões a menos, já teria abandonado.

     31... Txf7 32 Tdxg6+! Rh7 33 T6g5!
     O primeiro passo para se ganhar um final de torre é... entrar num final de torre! Eu explico: quatro torres no tabuleiro não constituem um final, mas um meio-jogo. E perigoso.
     Agora, as pretas são obrigadas a trocar uma torre, do contrário entrariam numa fatal rede de mate.

     33... Txg5 34 Txg5 Tc7
    Parece absurdo que um campeão mundial continue jogando um final de torre com dois peões a menos, mas isso apenas revela o raro conhecimento sobre determinado tipo de final, como veremos a seguir.

     35 a3 b4!
A última esperança! Se 35...Tc2? 36 b4 Ta2 (Tc3) 37 Tg3!+-.

     36 axb4 Tc1+ 37 Rg2 Tb1 38 Ta5! Txb2 39 Ta4!! -diag.5 , 1-0.
     Somente após chegar à quinta fileira com seu rei e peões (h e f), Volódia tomaria em a6. No entanto, se ele tivesse continuado com 39 Txa6 Txb4, então chegaríamos a uma das posições mais controvertidas e difíceis do maravilhoso reino dos finais de torre.

     Em 1973 (20.11.73), n'A GAZETA ESPORTIVA, sobre esse tipo de final, eu publiquei o artigo que reproduzo a seguir -- justificando assim por que Kramnik não jogou o aparentemente simples e ganhador 39 Txa6. E também por que Anand só abandonou quando viu que o seu adversário, ao evitar 39 Txa6, conhecia esse final. 
     Spielmann falou: "Existem casos de torre empatar contra torre e dois peões, principalmente em se tratando de PB e PT na mesma ala, quando o rei do bloco inferiorizado se encontra de frente dos peões. O exemplo que segue (Rubinstein-Marshall, San Sebastian, 1911) é muito instrutivo --- diag. 1

     1... Rb5 2 Tb8+ Ra4 3 Tc8 Tb3+ 4 Rc2!
     Se 4 Rc4, seguiria 4...Tb1! e as brancas não podem capturar o peão de nenhuma maneira.

     4... Tb5 5 Th8 Rb4 6 Th1 a4
     Procurando colocar o rei adversário na coluna-a.O avanço do peão-c ofereceria menos dificuldades, ainda: 6...c4 7 Tb1+ Rc5 (7...Ra4 8 Ta1+ etc) 8 Ta1! e as pretas não podem fazer nada.

     7 Rb2 a3+
     Se 7...c4 8 Th8! c3+ 9 Rc2! Evidentemente, não 9 Ra2, porquanto o rei preto, depois de 9...Tg5, ameaçando 10...Tg2+, seria o suficiente para passar seu rei e estabelecer um final de ganho simples, com um peão a mais.

     8 Ra2 Ra4 9 Tc1 Ta5
     Depois de 9...Tb2+ 10 Ra1 e o rei branco ficaria afogado; por exemplo, 10...Rb3 1 Tc3+ etc.

     10 Tb1 c4 11 Tb8 Tc5 12 Ta8+ Rb4 13 Txa3 c3
     Se 13...Th5 14 Tg3 (posição de Philidor) 14...c3 15 Tg4+, empate.

     14 Tb3+ Rc4 15 Tb8, ½ - ½.

     Outro exemplo típico dessa posição ocorreu na partida Schlechter-Tarrasch, Colônia (e por coincidência) 1911, conforme o diag. 2 em que as pretas conseguiram empatar.

     1 Te3
     Ameaçando trocar as torres, ganhando.

     1... Rf6 2 Tg3 Ta1! 3 Rg4 Ta8!
     É importante observar o momento exato em que Tarrasch faz o preciso movimento de régua-T.

     4 Tb3 Tg8+ 5 Rf3 Tg1! 6 Tb8 Tf1+ 7 Rg4 Tg1+ 8 Rh5 Rf7!
    Nessa partida, as pretas continuaram inferiormente com 8...Tg7, ao que se seguiu 9 Tf8+ Re7 10 Tf5 Re6 11 Tg5 Th7+? 12 Rg6!! Txh3 13 Te5+ e as brancas venceram facilmente.
     O empate poderia ocorrer depois de 12 Rg4? Ta7 13 h4 Ta1 14 Tg6+ Rf7 15 Tc6 Rg7! 16 Rf5 Ta5+ 17 Rg4 Ta1! 18 Rg5 Tg1+ 19 Rh5 Tf1, como na variante principal que se verá mais adiante.
     É preciso ter cuidado com uma cilada que se origina da posição do diag. 3. Aqui, se 11...Tf7 (ao invés de 11...Th7+?) 12 Rg4 Ta7 13 h4 Ta1 14 Tg6+ Rf7 15 Tb6 Ta7? 16 Rg5! Ta5+ 17 f5 Ta7 18 h5 Rg7 19 h6+ Rh7 20 Te6 Tb7 21 Te5!! Ta7 22 f6! Ta8 23 Te7+ Rg8 24 h7+ Rh8 25 f7!, ganhando.

     9 Tb6 Rg7 10 h4 Rf7
     Uma outra cilada se apresentaria depois de 10...Tf1 11 Rg5 Tg1+ 12 Rf5 Th1 13 Tg6+ Rh7 14 Tg4 Rh6 15 Rf6 Rh5? 16 Tg8! Ta1 17 Tf8! Rxh4 18 f5 Ta6+ 19 Rg7 Ta7+ (19...Rg5 20 f6+-) 20 Rg6, ganhando

     11 Tb5 Rf6 12 Tg5 Tf1 13 Tg6+ Rf7! 14 Tg4 Ta1
     E eis que chegamos à posição do primeiro diagrama (Rubinstein-Marshall), apenas com as cores invertidas.

     15 Rg5 Ta8! 16 h5 Rg7 17 Tg1
     Rubinstein comentou posteriormente que depois de 17 h6+ Rh7! 18 Rh5 Tf8! 19 Th4 Tg8! 20 f5 Tg1 21 Tf4 Th1+ 22 Rg5 Txh6 23 f3 Tg6+ 24 Rf5 Tg1 e a partida caminharia também para a nulidade.

     17... Ta5+ 18 Rg4 Ta2
     O rei preto se encontra tranquilo e satisfeito numa casa ideal.

     19 Tb1 Tg2+ 20 Rf5 Th2 21 Tb7+ Rh6 22 Rf6 Txh5 23 f5 Th1 24 Tb2 Th3! 25 Rf7 Ta3! 26 Tb7 Ta8, ½ - ½.
     As brancas não teriam como progredir.


   Sparkassen Cat XXI 2001

1 Kramnik,V 2802 +56
&;
½½ ½½ ½1 6.5 / 10 30.75
2 Topalov,V 2711 +165
&;
½½ 11 ½½ 11 6.5 / 10 28.25
3 Leko,P 2730 +66 ½½ ½½
&;
½½ ½½ 5.5 / 10  
4 Morozevich,A 2749 +7 00 ½½
&;
11 ½1 5.0 / 10  
5 Adams,Mi 2744 -99 ½½ ½½ 00
&;
½½ 3.5 / 10  
6 Anand,V 2794 -200 ½0 00 ½½ ½0 ½½
&;
3.0 / 10  
Media Elo: 2755 <=> Cat: 21 gm = 3.00 m = 1.00

 

Resposta - 597
A
(M. Liburkin, Shahmaty Listok, 1931 — 2º prêmio) 1 Cc1! Txb5 3 c7 Td5+ 3 Cd3!! Txd3+ 4 Rc2 Td4 5 c8=T!+-; 1 Cc1! Td5+! 2 Rc2! Tc5+ 3 Rd3! Txb5 4 c7 Tb8! 5 cxb8=B!+-.
B
(R. Mindadze, Tuvinskaia pravda, 1958 — 1º prêmio) 1 Bh4! (zug) 1...Rd4 2 Bf6+ Rc4 3 d3++; 1...Cc3 2 d3+! Rd4 3 Bf2++; 1...Cd4 2 d3+ Rc3 3 Be1++ ; 1...Cf4 2 Bf6! Cd3 3 Ba2++.

 

    

 

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