: : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :   CRÔNICAS    : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :
 

  Desumanos
 

 

 

    O site KC (http://www.kasparovchess.com/) promoveu, entre 7 e 16 deste mês, o match Deep Fritz e Deep Junior contra 10 GMs colaboradores e responsáveis pelo sucesso desse espaço internáutico. Duas partidas para cada jogador, com alternância de cores, e apenas o GM israelense Boris Alterman conseguiu vencer uma delas, contra o Fritz, perdendo porém para o Junior. 
     No total, a tabela final acusava: Fritz 7.5 + Junior 7.0= 14.5 pontos (em 20 possíveis) versus Humanos= 5.5. Ou seja, uma desumanidade, como diria o campeão, aliás ex-campeão Garry Kasparov, titular do site.

 DEEP JUNIOR (0.000) x (2.520) M. GOLUBEV (7ª rod. match Máquinas x Homens, KC, 13.11.00 — Siciliana, B 72 - Comentários MI Hélder Câmara

1 e4 c5 2 Cf3 d6 3 d4 cxd4 4 Cxd4 Cf6 5 Cc3 g6!? 
Corajoso, esse Mikhail — jogar a variante Dragão contra uma máquina de calcular...

 6 Be3 Cc6 7 Bc4 Bg7 8 h3! 
 Louve-se a atualizada programação teórica do Junior, adotando aqui a recomendação da hora, que é essa variante Normal, mas com o bispo atuando agressivamente na diagonal a2-g8.

 8...0-0 9 Bb3 Bd7 
 Alguns preferem a distensão 9...Cxd4 10 Bxd4 b5! 11 0-0 Bb7 12 Dd3 a5, com equilíbrio, 1/2-1/2 in 21. Judit-Lautier, Pamplona 1999; no caso de 9...Ca5 10 0-0 b6 11 Te1 Bb7 12 Bg5! Cxb3 13 axb3 h6 14 Bh4 a6 15 Cd5! Cxd5 16 exd5 Te8 17 c4 e, superiores, as brancas se impuseram, 1-0 in 38. Ye-Fedorov, 34th Ol. Istambul 2000.

 10 0-0 Tc8 11 Te1!
 Qualquer um deixaria a torre na coluna-f, mas o DJ tem como meta principal o danoso avanço de seu peão-e.

 11...Ce5 12 f4 Cc4 13 Bxc4 Txc4 14 Dd3 Tc8 
 Há o registro 14...Dc8?! 15 e5! dxe5 16 fxe5 Ch5 17 Cd5 Te8 18 Tad1 Bxe5 19 b3! Tc5 20 Cf3 Bg3 21 Bxc5 Dxc5+ 22 De3!+-, 1-0 in 30. Mitkov-Leenhouts, Holanda 1999.

 15 e5! Ce8 16 Bf2!
A fera de silício otimiza a atuação de suas peças — torre em e1-e8, bispo em h4-d8 — enquanto aumenta ainda mais seu espaço constrangedor.

 16...dxe5 17 fxe5 Cc7 18 Tad1! De8
 As pretas já estão na maior saia-justa e eu imagino o que aquela torre de f8 deva estar reclamando para a dama que ocupou sua casa natural; no mínimo, ‘‘sai da minha aba, sai prá lá’’; se 18...b5 19 Cf3! ou 18...Ce6 19 Cdb5!+-.

 19 Bh4! h6?! (19...e6? 20 Ce4+-; 19...b5!?) 20 De4
 Sem se apressar, DJ aperta mais e mais a posição, quando já dispunha de 20 Bf6!?, eliminando o importante bispo de g7.

 20...b5 21 a3 Ce6 
 Sufocadas, as pretas buscam o alívio das trocas, mas o cerco se fecha.

 22 Cd5 g5 23 Bf2 Cxd4 24 Dxd4 Bc6? 
 Mikhail ainda podia oferecer alguma resistência com 24...Be6, embora sua posição já estivesse comprometida.

 25 Cf6+! Bxf6
  Ou 25...exf6 26 exf6 Dd8 27 fxg7 Te8 28 Dg4! Df6 29 Bd4 Df4 30 Dxf4 gxf4 31 Rf2 +1.29.

 26 exf6 e6 27 Dg4! Bb7? 
 Ante a ameaça 28 Bc5, era bem melhor 27...Rh7!?.

 28 Te5! Rh8 29 Txg5! Tg8 30 Tg7! Txc2?
 Um último suspiro: 30...Bd5 31 c3! Dd8 32 Bd4+-. 

 31 Txg8+! Dxg8 32 Td8!, 1-0. 

MÁQUINAS 14.5 (Deep Fritz 7.5 + Deep Junior 7.0)
HUMANOS 5.5
(1. Boris Alterman,  ISR 2.564 - 1.0 (2): 2. Alexey Bezgodov, RUS 2.557 - 1.0 (2): 3. Ronen Har-Zvi, ISR 2.508 - 1.0 (2); 4. Sofia Polgar, HUN 2.501 - 0.5 (2); 5. Nikolai Vlassov, RUS 2.455 - 0.5 (2); 6. Vladimir Belov, RUS 2.470 - 0.5 (2); 7. Sergey Janovsky, RUS 2.495 - 0.5 (2); 8. Jonathan Levitt, ING 2.438 - 0.0 (2); 9. Mikhail Golubev, UCR 2.523 - 0.0 (2); 10. Mikhail Hodarkovsky. UCR 2.260 - 0.0 (2).

1ª rod. (7 nov 2000)
Deep Junior ½ - ½ Bezgodov, A. (61) C 96 Espanhola
Bezgodov, A. ½ - ½ Deep Fritz (90)   B 49 Siciliana

2ª rod (8 nov 2000)
Deep Fritz 1 – 0 Janovsky, S. (49) D 10 Eslava
Janovsky, S. ½ - ½ Deep Junior (55) A 34 Inglesa

3ª rod (9 nov 2000)
Deep Junior ½ - ½ Polgar, S. (55) C 67 Espanhola
Polgar, S. 0 – 1 Deep Fritz (50) A 22 Inglesa

4ª rod (10 nov 2000)
Deep Fritz 1 – 0 Belov, V. (58) E 98 India do Rei
Belov, V. ½ - ½ Deep Junior (43) C 68 Espanhola

5ª rod (11 nov 2000)
Deep Junior ½ - ½ Har-Zvi, R. (46) C 67 Espanhola
Har-Zvi, R.   ½ - ½ Deep Fritz (68) C 49   4 Cavalos

6ª rod (12 nov 2000
Deep Fritz ½ - ½ Vlassov, N. (54) A 50 India da Dama
Vlassov, N. 0 – 1 Deep Junior (65) B 22 Siciliana

7ª rod (13 nov 2000)
Deep Junior 1 – 0 Golubev, M. (32) B 72 Siciliana
Golubev, M. 0 – 1 Deep Fritz (65) C 47 4 Cavalos

8ª rod (14 nov 2000)
Deep Fritz 1 – 0 Hodarkovsky, M. (34) A 45 Ortodoxa
Hodarkovsky, M. 0 – 1 Deep Junior (35) D 02 Peão Dama

9ª rod (15 nov 2000)
Deep Junior 1 – 0 Alterman, B. (47) A 44 India Antiga
Alterman, B. 1 – 0 Deep Fritz (87) A 03 Ab. Bird

10ª rod (16 nov 2000)
Deep Fritz 1 – 0 Levitt, J. (39) A 43 India Antiga
Levitt, J. ½ - ½ Deep Junior (46) D 00 Peão Dama

B. ALTERMAN (2.564) x (0.000) DEEP FRITZ  (9ª rod. match Homens x Máquinas, Kasparovchess Internet, 15.11.00 -- Bird/Stonewall, A 03)(Comentários do MI Hélder Câmara, baseados em notas e observações do vencedor, Boris Alterman, para o http://www.kasparovchess.com/ que promoveu esse evento)

     1 f4!?
    
Há algum tempo, discutindo "teoria mecânica" (métodos para jogar a abertura contra softs enxadrísticos), concordava com alguns amigos que a melhor maneira de se enfrentar uma calculadora é não deixá-la... calcular! É como lutar jiu-jitsu com um boxeador, procurando travar seus golpes sempre perigosos. E atendendo a essa idéia, o mais indicado parecía-nos a adoção de uma linha que nos levasse a uma luta de golpes curtos, travados, como a Stonewall -- quando você só pode ver a posição de seu adversário se olhar por sobre a multidão de peões que congestiona o tabuleiro. Em suas considerações, Alterman admite sua intenção em adotar a Stonewall, sem no entanto proceder "da maneira mais natural, com 1 d4, por que aí, com 1...d5 2 e3 Bf5!, as pretas teriam um jogo confortável" (BA). Alterman contava também com a avareza da máquina para jogar o gambito From, 1...e5!? 2 fxe5 d6 (Sacrilégio! Esses softs só pensam em tomar, jamais em dar) 3 exd6 Bxd6 4 Cf3 g5 5 d4! (e, não, o teórico 5 g3!?) 5...g4 6 Ce5, devolvendo o peão, mas entrando num final com poucas chances para qualquer um dos lados.

     1... d5 2 Cf3 Cf6 3 e3! g6
     Antes como agora, o DF (Deep Fritz) não tem problema para desenvolver seu bispo de c8. Mas ele vai se encrencar exatamente por causa de sua eficiente programação: ele "sabe" que a melhor exploração para as brancas dessa formação serrilhada de peões (d2/e3/f4) é com o bispo em b2. Assim, ele "pensa" em matar dois coelhos com uma única pedrada, pois com 3...g6, ele não só neutralizará a ação do possível bispo fianchettado em b2, como também deixará desimpedida a diagonal c8-h3 para o livre trânsito do eterno problema das pretas

     4 Be2 Bg7 5 d4!!
     Aí está, se a máquina pudesse falar, diria "Fui enganada! Ele me parecia tão inocentinho, querendo jogar uma Larsen/Nimzowitch (b3), e agora muda o jogo abruptamente para esse intransponível muro de pedra". Com o fianchetto do rei (...g6), o bispo de c8 carece de efetividade e se se desenvolver para além da muralha de seus peões terá uma efêmera duração.

     5... O-O 6 c3 Bf5 7 Cbd2!
     Do contrário, 7...Bxb1 e as pretas se livrariam de seu problema e ainda conservariam um cavalo numa posição cerrada.

     7... e6?!
     Palavras de Alterman: "Primeira evidência de que o DF joga sem um plano. Mais natural seria 7...c5. Depois do lance do texto, as possibilidades do bispo de f5 são muito limitadas"
.

     8 h3 Ce4?
    
Alterman garante que se fosse o Junior, o lance seria 8...h5. Já eu garanto que se a programação desse soft fosse soviética, antes mesmo de jogar 6...Bf5, as pretas procurariam primeiro desenvolver aquele cavalo de b8.

     9 g4 Cg3?
     É incrível, mas a máquina vai entregar um peão sem nenhuma compensação. Pelo menos nesta partida, o DF revela um comportamento inseguro, uma estratégia desastrada quando se encontra em posições que desconhece, redundando num inacreditável lapso tático, com prejuízo material. Era forçado 9...Cxd2 l0 Cxd2 Be4 11 Cxe4 dxe4 12 h4, com palpável superioridade posicional.

     10 Tg1 Cxe2 11 Rxe2! -- diag. 1
     Será que esse lance escapou aos bits da máquina? Depois de 11 Dxe2 Bc2! e, com igualdade material, outra partida seria jogada.

11... Be4 12 Cg5! Ca6 13 b4!
Não há pressa em capturar o peão de e4, porquanto as pretas não dispõem do recurso ...f5. Assim, Alterman prefere impedir qualquer reação (...c5) do seu adversário.

13... c6?
Alterman alerta-nos que a melhor chance das pretas estava em 13...b6, para reagir com 14...c5. Com um peão a menos, porém, o mecanismo da máquina trabalha objetivando o empate. E é essa a grande diferença entre o homem e a máquina. Nós, mesmo com desgaste material, estamos pensando sempre (cobiça) na possibilidade de vencer.

    14 Bb2 De7 15 Cdxe4 dxe4 16 Cxe4
     Claro, agora as pretas ameaçavam 16...f5. Mesmo com um peão de vantagem e uma posição superior, Alterman ainda vai precisar de algumas incríveis imprecisões do seu adversário
.

     16... Tad8 17 Db3 Dh4?
     Para impedir a manobra g5 e h4/h5, o DF compromete a ação de sua própria dama.

     18 Th1! Tfe8 19 Tag1!
     E já agora, as brancas ameaçam 20 g5, 21 Tg4 e 22 Cg3, castigando a extemporaneidade do lance 17...Dh4.

     19... f6?
     Impressionante, o DF comete imprecisões uma após outra. Ao invés de 19...De7, desencaixotando sua dama, o DF insiste em utilizá-la como um simples calço parea impedir o avanço h4.

     20 Cd2! Cc7 21 Cf3 Dh6 22 h4 -- diag. 2
     Alterman garante que "as brancas estão ganhas: além do peão a mais, elas contam com a total imobilização da dama preta". Mesmo assim, ele não vai eleger o melhor plano para explorar corretamente essa enorme vantagem

     22... Tf8
     Renunciando ao pretendido rompimento ...e5, o DF vai se limitar a uma defesa neurótica-passiva, tipo bandido encurralado em interior de banco após assalto frustrado: "eu sei que você são muitos, mas venham me buscar...".

     23 Bc1! Tde8 24 a4!
     Antes de seguir com e4 e f5, Alterman, sem necessidade de apressar-se, evita a imprecisão que seria a açodada sequência 24 e4 f5 25 g5 Dh5 26 e5 b5!, quando as pretas garantiriam então a incômoda permanência de um cavalo em d5.

     24... Cd5 25 c4 Cb6 26 e4 -- diag. 3
    
Posição natural sui-generis, digna de um diagrama, de um registro. Similar a isso só a estapafúrdia abertura Gorgonzola, inventada e adotada pelo Rado em partidas relâmpago no clube de xadrez, quando jogava todos os seus peões na terceira fileira (e3/d3/f3/c3/g3/b3/h3/a3). Sua explicação era simples: "se o xadrez imita a vida, então eu estou mandando todos os meninos para a escola, pode ser que assim eu tenha um pouco de folga dentro de casa".

     26... f5
     Bom ou mau, esse lance tinha de ser feito. Agora, Alterman vai atar toda a ala do rei, onde se encontram as peças adversárias, e atuar soberanamente na ala da dama.

     27 g5 Dh5 28 e5!
     Resta saber se o DF conhece aquele joguinho num estojo quadrado com 15 tijolinhos (numerados ou letrados) e uma folga entre eles, para ir-se labirinticamente progredindo com a pedra da vez até formar uma sequência lógica ou uma frase. No presente caso, se o DF conseguisse formar alguma frase, essa seria "estou ferrado".

      28... Tf7 29 Be3 Td7 30 Rf2! Ted8 31 Td1
     
A imobilização das pretas é total, mas as brancas precisam progredir. A idéia deve ser dobrar Td2/Thd1, expulsar o cavalo de b6 (c5) e avançar d5. Como isso não pode ser feito imediatamente, o DF vai defender-se procurando colocar seu cavalo em c7 (Ca8/Cc7), para impedir essa manobra.

     31... Ca8 32 b5!
     Esse lance neutraliza a interessante manobra ...Cc7 e ...b5, criando uma casa absoluta para o cavalo preto em d5.

     32... Bf8 33 a5 Be7
     Era enorme o leque de lances ruins à disposição das pretas, como, por exemplo, 33...Cc7 34 bxc6 bxc6 35 Dc4, ganhando mais um peão

    34 b6!!
     As brancas têm agora uma dama e um cavalo de vantagem. E Alterman aida vai conseguir se complicar antes de vencer essa partida.

     34... axb6 35 axb6 Rg7 36 c5 -- diag. 4
     Segundo Alterman, o próprio Fritz registra um índice pededor de -2.34, sem nenhuma chance para as pretas. Ocorre, porém, que é preciso apurar essa vantagem, eleger um plano conclusivo e executá-lo. Como diria Tartakower, "As partidas mais difíceis de vencer são aquelas que já estão ganhas".

     36... Rf7 37 Ta1 Tb8 38 Dc4?
     Olha aí, um lance inteiramente inócuo. A sequência correta seria 32 Cd2! Td5 39 Cc4 Tdd8 40 Cd6+ Bxd6 41 exd6 Td7 42 Db2 Tf8 43 d5! exd5 44 Df6+ Rg8 45 De6+ Tdf7 46 Bd4, ganhando

     38... Bd8 39 Cd2?
     Alterman confessa que forçou esse próximo "sacrifício" (a peça já estava aniquilada) por que sabia que o final resultante era vitorioso para as brancas. A continuação mais válida, porém, seria voltar com a incoerência de 38 Dc4? (jogando 39 Db3) e prosseguir com a linha que apontamos.

     39... Bxb6 40 cxb6 Cxb6 41 De2 Dxe2+ 42 Rxe2 Rg7
     Resultado: por um cavalo morto (no caso, um bispo cego), dois peões e vários sustos. Numa condução sem falha, as pretas teriam nesse escambo, quando muito, um magro peãozinho e olhe lá.

     43 h5 Cd5 44 Ta7 Tbd8 45 Cb3 b6 46 hxg6?
     Outra chance desperdiçada; o meu Junior-6.0 indica 46 h6+! Rg8 47 Tha1, ameaçando sem defesa 48 Txd7 Txd7 49 Ta8+ Rf7 50 Th8, liquidando tudo.

     46... hxg6 47 Tha1 Rf7 48 Cd2 Re7 49 Cc4 Txa7 50 Txa7+ Td7 51 Ta1?
     Vejam quantos erros Alterman comete até acertar com o caminho da vitória. Enquanto isso, o Junior distribui os prêmios: +2.42 para 51 Ta6!; +2.17 para 51 Txd7+; +1.89 para 51 Ta8. O lance do texto pode até ganhar, mas não se encontra entre as principais opções de minha máquina.

     51... Cxf4+! 52 Rf3
     As brancas estão ganhas e vão vencer, mas sustos como esse eram perfeitamente dispensáveis. Outra possibilidade seria 52 Bxf4 Txd4 53 Ta7+ Rd8 54 Cxb6 Txf4 55 Cd7! Te4+ 56 Rf3 c5 57 Cf8! Txe5 58 Cxg6 Te4 59 Cf4! e5 60 Ce6+ Rc8 61 g6+-.

     52... Cd5 53 Bc1 Cb4 54 Cd6 Cc3 55 Ta8 Td8
     É claro que não servia 55...Cxd4+ 56 Re3 Cc2+ 51 Rd2 e ante a ameaça de 58 Te8#, o cavalo estaria perdido.

     56 Ta7+ Td7 57 Ta8 Td8 58 Txd8!
     Depois de muito cálculo e hesitações, Alterman entre nesse final ganho, embora o DF ainda possa oferecer alguma resistência

     58... Rxd8 59 Bb2!
     As pretas não têm como evitar a perda do peão de g6 ou do peão de b6. A ameaça é 60 Cf7 e 61 Ch8 e se 59...Re7 60 Cc8+, capturando em b6.

     59... Rd7 60 Cf7 Re8 61 Ch8! Ce1+ 62 Re2 Cg2!? 63 Bc1!
     Não há pressa, o peão de g6 não tem defesa.

     63... Rf8
     Alterman sugere 63...Ch4!? 64 Rf2 Rf8 65 Rg3 Rg7 66 Rxh4 Rxh8 67 Ba3! Rg7 68 Bd6 Rf7 69 Bc7! b5 70 Bd6! e o rei branco entraria vitoriosamente na ala da dama.

     64 Cxg6+ Rf7 65 Cf4 Ch4 66 Rf2 Cg6
     Não era possível evitar essa troca e agora as brancas só precisam criar uma passagem para entrar com seu rei no campo adversário.

     67 Cxg6 Rxg6 68 Bd2 Rh5 69 Rg3 Rg6 70 Rh4 b5 71 Bb4 f4 72 Rg4 f3 73 Rxf3 Rxg5 74 Be1 Rf5 75 Bb4
     Alterman calculou que era necessário dominar a casa g5 com o bispo por cima, em e7, receoso talvez de 75 Bd2 c5!? Mas essa linha também conduziria as pretas para a derrota.

     75... Rg5 76 Bc5 Rf5 77 Be7! Rg6 78 Rg4+- Rh6 79 Bg5+ Rg6 80 Bd2! Rf7 81 Rg5 Rg7 82 Bb4! Rf7 83 Rh6 Rg8 84 Rg6 Rh8 85 Rf6 Rg8 86 Rxe6 Rh7 87 Rd7, 1-0.

     Essa foi a única derrota dos gêmeos de silício dentre as 20 partidas que eles disputaram nesse instigante match.

 

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