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   18º Campeonato Europeu por Equipes
 

 

 

A - Br. jogam e ganham

B - Mate em 3 lances

O 18º Campeonato Europeu por Equipes, celebrado entre 6 e 15 de novembro em León, Espanha, registrou a vitória da Holanda, no masculino, e da França, no feminino. Não se pode omitir a desistência à última hora da favorita Rússia e de duas outras fortíssimas equipes, Armênia e Bósnia.

Considerada como uma das principais provas do calendário internacional, essa edição do ETC (European Team Championship) reuniu os mais fortes GM-As da atualidade e destacou a notável evolução do xadrez francês, vice-campeão no masculino e campeão no feminino, sendo que as melhores performances individuais foram as de Joel Lautier (masculino) e Marie Sebag (feminino), ambos da França, com 7.5 em 9 e 7 em 8, respectivamente.

A tabela final registrava: 1. Holanda (Van Wely, Piket, Tiviakov, Van den     Doel e Nijboer) 24.5 pontos em 36 possíveis; 2. França (Bacrot, Lautier, Bauer, Degraeve e Fressinet) 23.0; 3 Alemanha 22.0; 4/5. Inglaterra e Eslovênia 21.5; 6. Israel 20.5; 7/8. Espanha-A e Suécia 20.0, num total de 35 países. A Ucrânia, recente campeã mundial por equipes, ficou na 12ª colocação.

No feminino, França (Maria Leconte, Marie Sebag e Rosa Te-llalemand) 12.5 pontos em 18 possíveis; 2/3. Moldova (Skripchenko e Petrenko) e Inglaterra (Hunt, Houska e Lalic) 12.0; 4/5. Alemanha e Polônia 11.5; 6/8. Iugoslávia, Romênia e Azerbaijão 10.5, num total de 32 países. Os melhores foram, masculino: Lautier, Tiviakov, Navarra, Adams, Piket e Vallejo; feminino: Sebag, Skripchenko, Peng e Kachiani. 

B. Gelfand (2701) x (2714) L. Van Wely (9ª rod. ETC. León/ESP, 15.11.2001 - Grunfeld, D 79) 

1 d4 Cf6 2 c4 g6 3 g3 c6 4 Bg2 d5 
Essa mescla de Eslava e Grunfeld oferece às pretas um jogo sólido, mas pouco ambicioso; sua adoção no presente caso está justificada, se considerarmos que para a Holanda (Van Wely), à frente no marcador, um empate com as pretas no 1º tabuleiro seria um bom resultado, enquanto para Israel (Gelfand) somente a viória poderia mudar o quadro classificatório.

5 cxd5 cxd5 6 Cc3 Bg7 7 Cf3 0-0 8 Ce5! e6 
o próprio Gelfand já se aventurou com 8...Bf5!? 9 0-0 Ce4 10 Be3 Cxc3 11 bxc3 Cc6 12 Db3 e6 13 Cxc6 bxc6 14 Da3! Te8 15 Bf4 e5 16 Bxe5 Bxe5 17 dxe5 Txe5 18 e3 Be4 19 Tfd1 Df6 com equilíbrio, embora 1-0 in 57. Karpov-Gelfand, Linares 1991.

9 0-0 Cfd7 10 f4 Cb6
A linha mais coerente com a intenção de empatar parece ser 10...Cc6 11 Rh1 f6 12 Cf3 f5! 13 b3 Cf6 14 Ba3 Te8 15 Ce5 Bd7 16 Tc1 Tc8 17 Ca4 Ce4 18 Cxd7 Dxd7 19 e3 Df7 com esterilizadora estagnação, ½-½ in 27. Gelfand-Leko, Mônaco 2001. Convêm lembrar também o desastre ocorrido após 10...Cxe5 11 fxe5 Cc6 12 e4!? dxe4 13 Be3 f5 14 exf6-ep Txf6 15 Cxe4! Txf1+ 16 Dxf1 Cxd4? 17 Td1 e5 18 Cg5!, 1-0. Kasparov-Nunn, Bruxelas/BEL 1986.

11 b3 f6 12 Cd3 Tf7
Detonar o centro resulta desastroso para as pretas: 12...Te8 13 e3 Cc6 14 Ba3 e5? 15 fxe5 fxe5 16 dxe5 Cxe5 17 Cf4 Cg4 18 Ccxd5! Cxd5 19 Cxd5 Cxe3 20 Cxe3 Bd4 21 Rh1! Bxe3 22 Df3! Bf5 23 Dxb7 Dd2 24 Dd5+ com posição vitoriosa, 1-0 in 33. Gómez-Martin, Torrevieja/ESP 1997. A idéia de 12...Tf7 é aliviar aquele enclausurado bispo de g7. 

13 a4 Cc6 14 e3 Tb8 15 g4! - diag.1
O objetivo desse lance é provocar o enfraquecimento da casa b5, ante a grave ameaça de 16 a5 e 17 f5!. 

15...a5 16 Ba3 Bf8 17 Bc5! Rg7 18 Tc1 
Espaços exíguos, golpes curtos; e Boris vai completando seu desenvolvimento , ao mesmo tempo em que aumenta seu domínio territorial.

18...Bxc5 19 dxc5 Ca8 20 Cb5!
Gradativamente, as brancas infiltram seus comandos no campo adversário; as pretas não contam sequer com as possíveis e aliviadoras trocas, que no presente caso agravariam ainda mais sua estrangulada posição.

20...Cc7 21 De1!?
O Fritz-6.0 prefere o imediato assalto 21 Cd6 Tf8 22 f5! exf5 23 gxf5 Bxf5 24 Cxf5+ gxf5 25 Txf5 De8 26 Tf3, com uma vantagem de +/- 0.75; o experiente Boris, porém, prefere conceder ao seu adversário o inalienável direito de equivocar-se, ao manobrar em espaço tão reduzido.

21...Ca6
Interessante, a heróica proposta do Fritz para desafogar essa posição: 21...b6!? 22 f5 gxf5 23 gxf5 e5 24 Dh4 bxc5 25 Txc5 Cxb5 26 axb5, com uma suportável inferioridade de -/+ 0.56. Essa partida é notável, se atentarmos que Boris atua na ala da dama, no centro e na ala do rei, acumulando graves ameaças e sem permitir uma melhor estruturação posicional de seu adversário.

22 e4! dxe4 
Do contrário, 23 Cd6 e 24 exd5; ainda assim, o Fritz insiste no lance 22...b6!? como melhor opção: 23 Cd6 Tf8 24 e5!? ou 24 exd5 exd5 25 Cxc8 Txc8 26 Df2 bxc5 27 Cxc5 Cxc5 28 Txc5 Cb4, com um insignificante índice de +/- 0.41.

23 Bxe4 Td7
Se 23...f5? 24 Bxc6! Dxd3 25 Td1!! Dxb3 26 De5+ Rg8 e aqui as brancas dariam mate em 6 lances. 

24 Dc3! b6 25 Ce5! Cxe5 26 fxe5 Cxc5 
Não servia 26...f5 27 c6! Te7 28 Tcd1 Dg8 29 Bg2, com definitiva superioridade.

27 exf6+ Rf7 28 Dh3! 
Impressiona a diversificação dos golpes táticos do posicional GM-A israelense, constando de jabs, cruzados e diretos. Esse último, por exemplo, se assemelha a um swing, raro e eficiente.

28...Dg8 29 Bc6! Td3 30 Be8+!!+- -diag.2
Vale observar que se 29...Td8, seguiria igualmente o demolidor 30 Be8+.

 30...Rxe8 31 f7+! Dxf7 32 Cd6+
Até aqui, Loek devia se sentir satisfeito, com três peças por sua dama de pouco brilho. 

32...Txd6 33 Txf7 Rxf7 34 Dxh7+ Re8 35 Dc7!! 
E aí está a ponta de toda a combinação, um garfo singular liquidando as esperanças das pretas: dama por bispo e cavalo.

35...Td4 36 Dxb8 Rd7 
Depois de 36...Txg4+ 38 Rh1!, as pretas perderiam mais uma peça. 

37 h3, 1-0. 


Não obstante esse resultado parcial, a Holanda venceu a Israel por 3 a 1, garantindo a primeira colocação desse torneio.Essa foi a primeira vez que a Espanha sediou ( com brilho e eficiência) essa magnífica prova.


Respostas - 614
A
(R. Reti, Wiener Tageblatt, 1925) - 1 Cc3+ Ra1! 2 Da4+! Rb2 3 Da2+ Rc1! 4 Db1+ Rd2 5 Db2+ Re1! 6 Dc1+ Rf2 7 Cd1+ Rf3 8 Dc3+ Re2 9 Db2+ Rd3! 10 Db3+! Re2 11 Da2+ Rd3 12 Cb2+ Re2 13 Cc4+ Rf3 14 Ce5+ Re3 15 Dxg2+-.
B (V. Sutzkov, Sovietskaia Ucrânia, 1975) 1 Dg3! Rxd1 2 Df2 Re1/d2 3 De1/Df1#; 1…d2 2 Df4! Rd3 3 Txd2#.

 

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