: : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :   CRÔNICAS    : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :
de
Hélder Câmara
 


19/06/2004               

Suzana Chang vence o Brasileiro Feminino de 2004
Campeonato selecionou nossa Equipe Olímpica

 


 


Suzana, Campeã Brasileira de 2004

       O Campeonato Brasileiro Feminino deste ano, realizado entre 3 e 6 de junho no Clube de Xadrez de Curitiba, revestiu-se de especial importância, porquanto serviu para indicar a equipe que defenderá nossas cores na próxima Olimpíada Mundial, a se ferir em Calviá (Mallorca), na Espanha, de 14 a 31 de outubro.

        Com invejável performance, Suzana Chang totalizou 6 pontos em 7 possiveis, com 5 vitórias e 2 empates, mesma pontuação de Regina Ribeiro, campeã do ano passado, a quem derrotou em posterior match-desempate.

        Nas demais colocações, 3) Joara Chaves 5.5; 4/8) Evandra Cruz, Suelen Staloch, Vanessa Feliciano, Majla Taha e Suellen Unger 5, etc. total de 45 jogadoras. As quatro primeiras nomeadas compõem a equipe do Brasil na Olimpíada de Calviá.

        Não obstante seu extenso currículo de consagradoras vitórias, em que se incluem Jogos Abertos do Interior de vários estados, Campeonatos Paulistas (1999 e 2000) e Vice-Campeonatos Brasileiros (2001 e 2002), além de participações em Olimpíadas Mundiais (Rússia, 1998 – 3º tab. e Eslovênia, 2002 – 1º tab.), Suzana notabiliza-se pelo seu tenacíssimo e brilhante estilo de jogadora de ataque, concorrendo como nenhuma outra em torneios masculinos, superando sempre mais de dois terços dos inscritos.

         A seguir, um exemplo do estilo dessa dileta aluna da escola de Lasker, para quem o xadrez era uma luta.

         N.
Silveira (2225) x (2075) Suzana Chang (2ª rod. Campeonato Brasileiro (Absoluto) de Xadrez, RJ, jan/2004 – Siciliana, B 23).

         1 e4 c5 2 ¼c3 ¼c6 3 f4!? (Segundo a teoria, “com este lance, as brancas revelam sua intenção de atacar no futuro refúgio do rei adversário, tanto com o avanço de seus peões na ala do rei, quanto, em especial, com a estocada f5, aumentando a ação de suas peças nesse ataque”).

         3...e6 4 ¼f3 ¼ge7! (A melhor defesa, registra a teoria. As pretas minimizam os perigos da saída do bispo de f1 e mantêm em estado latente a irrupção central ...d5).

         5 g3 d5 6 €g2?! (As brancas deviam impedir com 6 d3 o avanço a seguir, que congestionará o trânsito de suas peças).

         6...d4! 7 ¼b1 (Ou então, 7 ¼e2 d3! 8 cxd3 ²xd3 9 0-0?! ²xe4 10 d4 ²d5 11 ¼c3 ²c4 e as pretas mantiveram sua vantagem material, 0-1 in 27. Ozsvath x Witkowski, Lublin 1969).

         7...d3!! 8 c3 (Outra imprecisão, quando o Deep Fritz-8 recomenda 8 0-0 ¼b4 9 ¼a3 dxc2 10 ¼xc2 ¼d3! com leve superioridade, -/+0.30).

         8...³b8 9 0-0 b5! (Com o claro objetivo de reforçar o terrível garrote em d3, estrangulando de vez o desenvolvimento das peças brancas).

         10 a4 b4! 11 cxb4 ¼xb4 12 ¼a3 €b7 13 ³e1 ¼ec6 14 ³e3? (Mesmo jogando o melhor, 14 ³b1 ¼c2! 15 ¼xc2 dxc2 16 ²xc2 ¼b4! 15 ²c3 ²d3! 16 ²xd3 ¼xd3, o DF-8 registra a vantagem das pretas em -/+0.71. Com o lance do texto, essa superioridade chega ao vitorioso índice de -+1.57)

         14...c4! 15 ³e1 €c5+ 16 ¡h1 0-0! (Agora, como antes, as brancas não devem tomar o peão de c4, sob pena de perder a qualidade, 17 ¼xc4 ¼c2-+. Ainda assim, o DF-8 prefere a crueldade de, primeiro, 16...¼a5! e, em seguida, 17...0-0, -+1.57).

         17 ³b1 ¼a5! 18 ¼e5 €a6! (Manter esse ferrolho em d3 equivale a jogar com uma peça a mais e essa deve ter sido a correta orientação de Suzana durante toda a partida. No entanto, o pragmático DF-8 oferece como ganhador (-+2.13) o contundente 18...f5!! 19 ¼exc4 ¼xc4 20 ¼xc4 ¼c2! 21 b4 €xb4 22 ³g1 €c5 etc).

         19 ²h5 g6 (Uma maneira mais rápida de definir essa posição vitoriosa seria 19...¼c2 20 ¼xc2 dxc2 21 ³a1 €f2! 22 ³e2 c3!, ganhando).

         20 ²h6 ²e7 21 ³f1 f6! (No zeitnot, Suzana garante a defesa de seu rei com uma guilhotina em e7, para em seguida concluir na outra ala seu vitorioso plano estratégico).

          22 ¼g4 ¼b3 23 ¼b5 €xb5 (Também venceria 23...Ca2, ganhando a qualidade, mas desviando-se da meta de reduzir à total inutilidade esse bispo de c1).

          24 axb5 ³xb5 25 e5 f5! 26 ¼f6+ ¡h8 27 g4 ²g7! diagrama (O DF-8 sugere 27...¼a2, -+4.20, mas mesmo esse lucro representaria valorizar uma peça completamente inútil para o jogo).


     

          28 ²h3 ³d8 29 gxf5 exf5 30 €f3 €e7! (Antes, é preciso remover esse incômodo cavalo, única peça passível de oferecer algum perigo).

          31 ²h4 ³b6! 32 ²f2 5 €xf6 33 exf6 ²xf6 (A continuação dessa partida apenas revitaliza a noção do “jus esperniandi”).

          34 ³e1 ¼c2! 35 ³e5 ¼cd4 36 €d5 ¼e2! 37 €xc4 ²c6+ 38 ²g2 ²xc4 39 h4 ²c6!, 0-1. E até no último lance, Suzana recusa-se a tomar de graça um bispo inutilizado durante toda a partida.

     Suzana Chang (2075) x (2295) R. Benares (5ª rod. Campeonato Brasileiro (Absoluto) de Xadrez, RJ, jan/2004 – Inglesa, A 21).

1 c4 e5 2 ¼c3 €b4 3 a3 €xc3 4 bxc3 ¼f6 5 d4 d6 6 e3 0-0 7 ¼f3 e4 8 ¼d2 c5 9 €e2 ³e8 10 0-0 ²a5 11 ¼b3! ²c7 (11...²xc3? 12 ³a2!) 12 a4! €e6 13 €a3 ¼bd7 14 ¼d2 ¼f8 15 f4 exf3-ep 16 €xf3 €d7 17 ²e1 ²a5 18 dxc5 dxc5 19 ¼b3 ²xa4 20 ¼xc5 ²xc4 21 ¼xb7 ¼g6? 22 ¼d6 ²c7 23 c4! €c6 24 ¼xe8 ³xe8 25 €b2 ¼e4 26 €d4 ³a8 27 ²a5 ²e7 28 ²f5 a6 29 ³xa6! ³xa6 30 ²c8+ ²e8 31 ²xa6 ¼h4 32 ²a5 f6 33 ²c7 ¼xf3+ 34 ³xf3 ¼g5 35 ³f2 ²e4 36 ²c8+! ¡f7 37 ²f5! ²h4 38 €xf6!! ¼h3+ 39 ²xh3 ²xh3 40 gxh3» (40 €d4+!) gxf6 41 ³f4 h5 42 ¡f2 ¡e6 43 ³d4! ¡e5 44 ¡g3 €b7 45 c5 €c6 46 ¡h4, 1-0.  

 

 Estudos e problemas

 

  741    A    (L. Kubbel, 64, 1932) 1 ³c8+! ¡xc8 (1...¡b7? 2 €g2+ ¡xc8 3 b7+!+-) 2 €a6+ ¡b8  3 b7
                  €f6+ 4 ¡c4 €d8 5 ¡d5 €e7 6 f6!! gxf6
7 ¡e4 €d8 8 ¡f5 €e7 9 ¡g6! d5 10 ¡f7 d4 11 ¡e6
                  d3 12 ¡d7 d2 13 bxa8=²+ ¡xa8 14 ¡c8! d1=² 15 €b7#.

           B    (S. Gold & A. White, Orillia Packet 1896) 1 ²h7! ¡d5 2 ²h4!! ¡d6 3  ²d8#.    
                  

 

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