: : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :   CRÔNICAS    : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :
 

   Atualidades
 

Do Match do Século à decisão do Grand Prix, contínua efervecência do xadrez magistral
 

 

A - Br. jogam e ganham



B - Mate em 3 lances

 

    De acordo com a conferência de Imprensa realizada em Moscou no último dia 12, com a presença do presidente da Fide, Kirsan Ilyumzhinov, do Ministro de Esportes da Rússia, Slava Fetisov, do presidente da Federação Russa de Xadrez, Andrey Selivanov, e do cartola itinerante Garry Kasparov, será realizado entre 8 e 12 de setembro a terceira versão do “match do Século” (agora XXI), defrontando os 10 melhores GM-As da Rússia e os 10 melhores GM-As do Resto do Mundo.

      Como se trata de um evento muito mais promocional do que técnico, as partidas serão de 25m + 10s por lance a finish, sob o Sistema Schevenningen - quando todos jogam contra todos, desde que não sejam do mesmo grupo.

     Pela convocatória, a princípio os nomes seriam (Rússia): Krammnik, Kasparov, Karpov, Khalifman, Morozevich, Bareev, Grischuk, Svidler, Dreev e/ou Rublevsky, Zvjaginsev, Motylev; os convidados (Resto do Mundo): Anand, Ponomariov, Topalov, Ivanchuk, Gelfand, Leko, Shirov, Judit Polgar, Jiangchuan e/ou Smirin, Akopian, Azmaiparashvili, Lautier, Kazimdzhanov, Short, Van Wely.

     Nas versões anteriores, (I) Belgrado, 1970 e (II) Londres, 1984, os soviéticos impuseram sua melhor qualidade de jogo. Atualmente, os GMs russos sequer podem se considerar favoritos. E, fato pertinente, dos 16 convocados do Resto do Mundo, 11 deles são originários do Bloco do Leste, isto é, da ex-URSS ou de suas adjacências, que alguns apelidaram de “Cortina de Ferro”...

     O substancial suporte financeiro desse grandioso evento ficará por conta da conhecida organização financeira russa, o Alfa Bank.

 FIDE Grand Prix    A instrutiva partida a seguir decidiu o finalista do Grand Prix de Moscou.

G. Kasparov (2838) x (2698) A. Khalifman (Semifinal Grand Prix Moscou, tie-break 4.4, 04.06.2002 - Espanhola, C 61)
1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bb5 Cd4!?
Na inútil tentativa de surpreender quem conhece tudo de tudo, Califa se vale dessa antiqüíssima continuação preconizada pelo mestre inglês Harry Bird (1830-1908) até hoje sem refutação, não obstante sua suspeita e artificiosa aparência.

4 Cxd4 exd4 5 0-0 c6 6 Bc4
Outra opção seria 6 Ba4, mas se Gazza escolheu esta, então podem anotar: é a melhor.

6...d5 7 exd5 cxd5 8 Bb5+
Há uma interessante inversão neste momento: 8 Te1+!, torcendo pelo “natural” 8...Be7, quando as brancas seguiriam com 9 Bb5+! Bd7 10 Dg4!! Cf6 11 Dxg7 Tg8 12 Bxd7+ Rxd7 13 Dxf7 e as brancas venceram, 1-0 in 46. Vokarev-Utnasunov, St. Petersburg/RUS 2001; o grande Lasker preferiu 12 Dxf6 Bxb5 13 d3 e o condutor das pretas abandonou. E. Lasker-NN, simultânea in Alemanha, 1913.

8...Bd7 9 Te1+ Ce7! 10 c4!! - diag. 1
Depois do forçado 9...Ce7, as pretas desistem do pequeno roque; assim, parece-nos bastante lógico o antecipado destelhamento (10 c4) da ala da dama, principalmente da coluna-c, onde o rei das pretas pretende refugiar-se. No caso de 10 De2 a6 11 Bxd7+ Dxd7 12 Dh5 Tc8 13 d3 Txc2 14 Cd2 g6 com chances recíprocas, ½-½ in 57. Lemmers-Motwani, Bélgica 2001. Na partida de 25m (4.2) dessa mesma semifinal (este presente tie-break que estamos examinando era de 5m + 10s por cada lance, a finish) seguiu 10 a4!? a6 11 Bxd7+ Dxd7 12 d3 0-0-0 13 b4 Cf5 14 b5 a5! 15 Bd2 b6 e as pretas se defenderam heroicamente, ½-½ in 73, Kasparov-Khalifman.

10...a6
Antes, ocorrera 10...Tc8!? 11 d3 Bxb5 12 cxb5 Dd7 13 Ca3 f6 14 Cc2 Dxb5 15 Cxd4 Dd7 16 Dh5+ g6 17 Dh4 Rf7! 18 Bh6 Cc6 19 Bxf8 Tcxf8 20 Te6 Rg7 com dinâmica paridade, ½-½ in 31. Luther-Klip, Pardubice/CZE 1999.

11 Bxd7+ Dxd7 12 d3 0-0-0
Embora tivesse escapado do pau na primeira partida utilizando-se desse temerário grande-roque, Califa devia se lembrar que na linha do trem, entre os dormentes, é um péssimo lugar para se fazer a sesta. Ou estaria ele se louvando na citação de Santo Agostinho, “necessitas non habet legem”, que o nosso matuto, em sua beatífica e cristalina objetividade, entendeu como “a necessidade tem cara de herege”?!

13 Cd2!
Com a diagonal c1-h6 desobstruída, o bispo de c1 já está desenvolvido, enquanto o cavalo de b1, esse sim, precisa de movimentar-se, se quiser escoicear alguém.

13...Rb8 14 b4! dxc4 15 dxc4!
Agora, a estratégia das brancas deve ser a mais simples possível: empurrar sua maioria de peões até conseguir a coroação de um deles; se nesse entretempo, mercê de progredir onde precariamente se homiziou o rei adversário, acontecer a chance de um xeque-mate, então, melhor ainda.

15...Cc6?!
GMI Alexander Khalifman, foto MI Joara ChavesO meu Chess Tiger 14.0, que já indica uma vantagem para as brancas em +1.02, propõe algumas interessantes reações para as pretas, começando com 15...g5!? 16 a4 Bg7 17 Ce4 h6 18 Bb2 Dc7 19 c5 Cd5 20 Cd6 Cxb4 21 Bxd4; ou então, 15...Cg6 16 c5 Be7 17 Bb2 Bf6 18 a4 Dd5 19 Ce4 Cf4 20 Df3 Be5 21 Bc1 mesmo que resultem em vantagem para as brancas, mas ambas tentando movimentar a ala do rei, numa clara manobra de diversão, desviando o foco do jogo para longe da precariedade de sua ala da dama.

16 b5!
Consoante com o que dissemos, o avanço desses peões pode nem fazer chover, mas garantirá uma insuportável trovoada; observem também a total inoperância da torre de h8 e se alguém disser que o mesmo ocorre com a torre de a1... vocês verão que será ela, exatamente ela que decidirá a sorte desta partida e só assim (ufa!) a passagem do Boss para a fase final desse Grand Prix de Moscou.

16...axb5 17 cxb5 Cb4
Califa passou o tempo todo movimentando uma ala que não é a sua praia; ainda agora, mesmo in extremis, o Tiger indica 17...Ce7 18 Cb3 Cg6 19 Te4 Bd6 20 Txd4 Dc7 21 b6 Dxb6 22 Bg5 f6 23 Be3 com +2.02 de vantagem para as brancas, mas distante do abrupto desenlace a seguir.

18 Cc4! Df5
O Tiger propõe como menos danoso 18...Cd5 19 Dxd4 Bb4 20 Cb6 Cxb6 21 Dxb4 Cd5 22 Bf4+ Cxf4 23 Dxf4+ Dc7 24 Dg4 g6 25 Tac1, com +2.68 - uma grande vantagem, é verdade, mas não pelo peão a mais, mas pela precária situação do rei das pretas.

19 Te5! Dc2 - diag. 2
O arremate a seguir é de uma inexcedível precisão, digna do maior jogador da atualidade.

20 Bf4!+- Dxd1+ 21 Txd1 Ra8
Contra 21...Ra7, seguiria igualmente 22 a3!, ganhando.

22 a3! f6 23 axb4!, 1-0.
Depois de 23...fxe4 24 Ta1+ Rb8 25 Bxe5+ Bd6 26 Cxd6 e a luta não teria mais sentido.
Malmoe, Suécia

    

 Em Malmoe, Suécia, realizava-se o 9º Sigeman & Co., reunindo 10 destacados GMs europeus. Com um rate-médio de 2572, cat. 13, a tabela até a 8ª rodada indicava: 1. N. Short (2673 Ing) 5.5; 2/4. J. Timman (2616 Hol), J. Hector (2513 Sue) e P. Nielsen (2636 Din) 4.5; 5/7. T. Luther (2566 Ale), L. Johannessen (2452 Nor) e V. Epishin (2606 Rus) 4.0 ; 8/10. E. Berg (2514 Sue), T. Wedberg (2540 Sue) e H. Stefansson (2598 Isl).

 

J. Hector (2513) x (2616) P. Nielsen (5ª rod. Sigeman & Co., Malmoe, 10.06.2002 - Siciliana, B 54)
1 e4 c5 2 Cf3 e6 3 d4 cxd4 4 Cxd4 a6 5 Cc3 d6 6 g4 b5 7 Bg2 Bb7 8 0-0 Cd7 9 a4! bxa4 10 Txa4 Cc5 11 Ta3 Cf6 12 Te1 e5
(diagrama) 13 b4! Ccd7 14 g5! exd4 15 e5!! dxe5 16 Bxb7 dxc3 17 gxf6 gxf6 18 Dd5! Ta7 19 Txa6 Txa6 20 Bxa6 Tg8+ 21 Rh1 Tg4 22 Be3 Txb4 23 Bb5 Txb5 24 Dxb5 Da8+ 25 Rg1 De4 26 h3 Dg6+ 27 Rh2 Bd6 28 Td1 Re7 29 Dd5!, 1-0.

 

 

H. Stefansson (2598) x (2616) J. Timman (5ª rod. Sigeman & Co., Malmoe, 10.06.2002 - Petrov, C 42)
1 e4 e5 2 Cf3 Cf6 3 Cxe5 d6 4 Cf3 Cxe4 5 d4 d5 6 Bd3 Bd6 7 0-0 0-0 8 c4 c6 9 Te1 Bg4 10 Cc3 f5! 11 Be3 f4 12 Bc1 Cg5 13 Be2 Bxf3 14 Bxf3 Cxf3+ 15 Dxf3 dxc4 16 De2 b5 17 a4 f3! 18 De6+ Rh8 19 g3 Ca6 20 axb5 Cb4! 21 Te4
(diagrama) 21...Cc2! 22 Ta6 Cxd4! 23 Dxc4 Bc5!! 24 Te1 Dc8!, 0-1.

 

Os veteranos Short e Timman cumpriram excelentes campanhas.


Soluções
642 A (F. Bondarenko & M. Liburkin, Chess Section, 1950) 1 Ch4 Rg1 2 Cf3+ Rg2 3 Cxh2 Rxh2 4 e5! Bxe5 5 Re6!! (5 Rxe5? Rg3 6 Rd6 Rf4 7 Rc7 Re5 8 Rb7 Rd6 9 Rxa7 Rc7=) 5…Rg3 6 Rd7 Rf4 7 Rc8 Rf5 8 Rb7 Re6 9 Rxa7 Rd7 10 Rb7+-.
B (G. S. Goswami, The Problemist, 1966) 1 f6! (zug) 1…Rd5 2 Rb6 Rd6 3 Td4#; 1…Rb5 2 Ce4! Rxa4 3 Cc3#.

 
 

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