: : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :   CRÔNICAS    : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :
de
Hélder Câmara


   15/04/2005                 

Radjabov vence invicto o torneio de Dos Hermanas
Um excessivo número de empates deslustrou a festa


 


 

                                   
                                            
Teimur Radjabov
                  
      O GM azerbaidjano Teimur Radjabov (12.03.1987 – 2673) venceu o XIIIº Torneio Internacional de Dos Hermanas, na Espanha (rate médio: 2635, categoria 16), realizado entre 1 e 9 deste mês.

      Com uma atuação burocrática e funcional, ele venceu 2 partidas e empatou 7, totalizando assim 5,5 pontos em 9 possíveis.

      

        Na tabela final, 2/5) Z. Azmaiparashvili, A Dreev, R Felgaer e A. Rustemov 5; 6/7) P. Harikrishna e S Karjakin 4.5; 8/10) L. Dominguez, O. Korneev e M Illescas 3.5.
O exagerado índice de empates (30 em 45) mereceu dos comentaristas desse torneio o epíteto de “Clube dos Empates”.

     M. Illescas (2633) x  (2673) T. Radjabov (4ª rod. Dos Hermanas, 04.04.2005 – Benoni, A 62)

      1 d4 Cf6 2 c4 g6 3 g3!? Bg7 4 Bg2 0-0 5 Cc3 c5!

      Aí está: a variante do Fianchetto é ótima contra a Índia do Rei, mas apenas sofrível contra a Benoni, uma vez que a ausência desse Bg2 da diagonal f1-a6 facilitará a expansão da maioria do adversário na ala da Dama.

      6 d5 d6 7 Cf3 e6 8 0-0 exd5 9 cxd5 Te8!

      As pretas não podem permitir o demolidor avanço e4 e f4.

      10 Bf4?!  (diag. 1)




 

       Um lance duvidoso, pois esse bispo está desenvolvido e deve sair de c1 quando for absolutamente necessário. Por exemplo, 10 Cd2 Cbd7 11 h3 Cb6 12 a4 Bd7 13 a5 Cc8 14 Cc4 Dc7 15 e4 b5 16 axb6-ep Cxb6 17 Ca3 a6 18 Te1 Tab8 19 Rh2 Cc8 20 Bf1 Db7 21 Dd3 Ta8 22 Df3 h6 23 Cc4 Bb5 24 Ca5 Dd7 25 Bxh6! e agora esse bispo saiu de sua capela, ½-½ in 60. Capablanca x Marshall, New York 1927.  

       10...h6

       Ou a manobra estândar 10...Ca6 11 Cd2 Ch5 12 Be3 Cc7 13 a4 b6 14 Bf3 Ba6 15 Te1 Txe3! 16 fxe6 Cf6 e as pretas se impuseram, 0-1 in 44. Nikolic x Topalov, Mônaco 2000.

       11 Tc1?! N

       Se a meta é o avanço do peão-e, então o lógico seria 11 Te1 g5 12 Bc1 Cbd7 13 e4. Ou mesmo, 11 Dc1 Rh7 12 Te1 g5 13 Bd2 a6 14 a4 Cbd7 15 h4 g4 16 Ch2 Tb8 com equilíbrio, embora 1-0 in 33. Gleizerov x Shilov, Barlinek 2001.

       11...Ch5 12 Bd2 Cd7 13 Te1 a6 14  a4 Chf6 15 b3 g5 16 h4?

       Além da incômoda desarticulação de suas peças, esse lance de Miguel concede às pretas uma enorme vantagem de espaço, que o Fritz-8 registra em -0.44.

       16...g4! 17 Ch2 Ce5 18 Dc2 Ch5 19 e3 Df6 20 Ce2

       O peão preto em g4 aferrolha todo o jogo das brancas na ala do rei. Depois disso, Teimur movimentará a ala da dama, que é a sua verdadeira praia.

      20...Bf5! 21 e4 Bd7! 22 Cf4?!

      Era mister dificultar o jogo das pretas na ala da dama com 22 a5!? Dg6 23 Bc3 Tac8 24 Ted1 f5, ainda que as pretas permanecessem melhores, -0.34 F8.

      22...Cxf4 23 Bxf4

     Se 23 gxf4 Cg6 24 f5 Ce5 25 h5 Dh4!, -0.59 F8.

      23...b5! 24 Cf1 Tec8   (diag. 2)



 

      Observem que as escaramuças no centro e na ala do rei estagnaram, daí por que Teimur transfere suas peças para a ala da dama.

      25 Dd1 h5!

      Teimur quer se livrar de sua única peça inoperante, o bispo de g7 que atua numa diagonal apontando para o nada.

      26 Ce3 Bh6! 27 Bxh6 Dxh6 28 axb5 axb5 29 Ta1

      Miguel procura na troca de peças minimizar sua falta de espaço, mas seu virtual peão a menos (b/c x b) depõe contra a sua posição.

      29...Df6 30 Cc2 b4! 31 Dd2 Rg7!

      Para dispor de uma possível troca de damas, que notabilizaria ainda mais sua vantagem material.

      32 Txa8 Txa8 33 Ta1?!

      Oferecia maior resistência 33 De2. Agora, o que segue é definitivo.

      33...Txa1+ 34 Cxa1 c4!!  (diag. 3)



                                                  


      Depois disso, o Fritz registra -1.56 e aponta como melhor 35 Rh2 Bb5! 36 De3 Cg6 37 bxc4 Bxc4 38 Cc2 Dc3, com final ganhador. E, é claro, se 35 Dxb4 Cf3+! 36 Bxf3 Dxa1+ 37 Rg2 gxf3+ 38 Rxf3 Dd1! 39 Rf4 Dc1+! 40 Rf3 Bg4+ 41 Rg2 e aqui tanto 31...Bh3+! quanto 31...Be2! levam a um rápido desfecho.

     35 bxc4 Cxc4 36 Dc1 Dc3! 37 Dxc3+

     Se 37 Db1 Ba4! 38 Da2 Bd1! 39 Db1 b3!!, ganhando.

     37...bxc3 38 f3 Ba4 39 Bf1 Ce5 40 f4 Cf3+ 41 Rf2 c2 42 Cxc2 Bxc2 43 Re3 Bxe4!, 0-1.



                               

                                                                                  
 Veni,vidi, vici


      E finalmente Miguel lembrou-se da afirmação de Shiller, de que é melhor um fim com horror do que um horror sem fim.

 


                                                          Estudos e problemas
 

775   A   (D. Stallybrass, L’Italia Scacchistica, 1965) 1 Tf3! Rxf3 2 Cd4+ Rxf4 3
                Cxb3 Re3 4 Rb4 f4 5 Rc3 f3 6 Rxc2 f2 7 Cd2+-.

         B   (S. Wolf, Sahovski Glasnik, 1926) 1 Be5! Rxe5 2 Td6! Re4 3 Te6#;
               1…Rxe3 2 Te1+ Rd2/Rf2 3 Cf3/Cd3#.
             

 

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