: : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :   CRÔNICAS    : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :
 

  Corus - 3
 

 

 


    Com a esperada, lógica e natural vitória do melhor jogador da atualidade
Garry Kasparov, encerrou-se o supertorneio Corus (Cat. 19), em Wijk aan Zee, na Holanda, realizado entre 12 e 28 de janeiro.

     1. Kasparov, 9.0 pontos em 13 possíveis; 2. Anand 8.5; 3/4. Kramnik e Ivanchuk 8.0; 5/7. Shirov, Morozevich e Adams 7.5; 8. Leko 6.5; 9. Topalov 5.5 10/11. Fedorov e Van Wely 5.0; 12/13. Piket e Tiviakov 4.5; 14; Timman 4.0.

     Há um beatífico e universal refrão a nos consolar, garantindo-nos que ‘‘após a borrasca, vem a bonança’’. E até um cego pode ver os ademãs amorosos que Garry tem dirigido ultimamente para a Fide, sujeitando-se, entre outras coisas, a jogar um torneio sob sua égide.

     Quem anda desconfiado dessa história é o atual e oficial campeão da Fide Viswanathan Anand (que por sinal jogou burocraticamente esse torneio: venceu apenas os holandeses e empatou com os demais). Mas ele deve saber com absoluta certeza quem joga mais, se ele ou se Kasparov.

     Esse descontentamento de Anand força-nos a imediata lembrança de um comercial de televisão, em que um garoto de 15 anos aparece vendendo uns binóculos, agora imprestáveis, porquanto sua vizinha ‘‘Glorinha, perfeita, maravilhosa, que todos os dias dava uma sopa danada diante da janela, desapareceu, não abre mais a cortina, desde que o sacana do marido dela comprou um espetacular aparelho de ar-condicionado...’’

Anand (2.790) x (2.632) Piket (11ªrod. Corus, Wijk aan Zee, 26.01.01 - Petrov, C 42) 
1 e4 e5 2 Cf3 Cf6 3 Cxe5 d6 4 Cf3 Cxe4 5 d4 d5 6 Bd3 Bd6 7 0-0 0-0 8 c4 c6 9 Te1 Te8 10 Cc3 Cxc3 11 bxc3 Bg4 12 Bg5 Txe1+ 13 Dxe1 Dd7 14 c5 Bc7 15 Ch4 h6 16 Bd2 Dd8 17 f4 Bc8 18 Dg3 b6 19 Te1 bxc5 20 dxc5 Df8 21 Be3 Ca6 22 Bd4 g5? 23 Df2, 1-0.

Timman (2.629) x (2.790) Anand (12ªrod. Corus, Wijk aan Zee, 27.01.01 — I. Dama, E 15) 
1 d4 Cf6 2 c4 e6 3 Cf3 b6 4 g3 Ba6 5 b3 Bb4+ 6 Bd2 Be7 7 Bg2 c6 8 Bc3 d5 9 Ce5 Cfd7 10 Cxd7 Cxd7 11 Cd2 0-0 12 0-0 Cf6 13 e4 b5 14 Te1 dxe4 15 Dc2 Tb8 16 Tad1 Dc7 17 Bf1 bxc4 18 bxc4 c5 19 dxc5 Bb7 20 Cb3 Cd7 21 Db2 g6 22 Bg2 f5 23 Cd4 Cxc5 24 Cb5 Db6 25 Da3 Tf7 26 Dxa7 Dxa7 27 Cxa7 Cd3 28 Te2 Bc5 29 Cb5 f4 30 Bh3? Cxf2!, 0-1.

Anand (2.790) x (2.700) Van Wely (13ªrod. Corus, Wijk aan Zee, 28.01.01. — Siciliana, B 90) 
1 e4 c5 2 Cf3 d6 3 d4 cxd4 4 Cxd4 Cf6 5 Cc3 a6 6 Be3 e5 7 Cb3 Be6 8 Dd2 Be7 9 f3 0-0 10 0-0-0 Dc7 11 g4 Tc8 12 Rb1 Cbd7 13 Df2 b5 14 g5 Ch5 15 h4 b4 16 Cd5 Bxd5 17 Txd5 a5 18 Bh3 a4 19 Cc1 Tcb8 20 Bg4 Cf4 21 Bxf4 exf4 22 Bxd7 Dxd7 23 Dd2 Tb5 24 Ce2 Tc8 25 Cxf4 b3 26 cxb3 axb3 27 a3 Tc2 28 Dd3 Tb8 29 Td4 Bf8 30 Cd5 Tf2 31 De3 Tg2 32 Td2 Tg3 33 Df2 Th3 34 Thd1!, 1-0.

O recém-findo Supertorneio Corus 2001 (Categoria 19), equivalente à 63ª edição da anual festa enxadrística promovida pelos holandeses em Wijk aan Zee, corre o risco de passar a ser conhecido, nesse nível, como "o mais famoso torneio das chances perdidas". E o agravante maior, insólito mesmo, é que tais fatos ocorreram em duelos defrontando super GM-As, em que erros fatais eram cometidos e desaproveitados de parte a parte.

KASPAROV x ANAND (3ª rod. Corus, Wijk aan Zee, 16.01.01 -- Espanhola, C 78)

1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bb5 a6 4 Ba4 Cf6 5 0-0 Bc5 6 c3 b5 7 Bb3 d6 8 a4 Bg4 9 h3 Bxf3 10 Dxf3 0-0 11 a5 Tb8! N 12 d3 Cd7 13 Be3 Rh8 14 Cd2 Ce7 15 Bc2 Bxe3 16 fxe3 c5 17 Bb3 c4! 18 dxc4 Cc5! 19 cxb5 Cxb3 20 Cxb3 Txb5 21 Dd1 Dc7 22 Ta4 Cc6 23 Cd2 Cxa5 24 b4 Cb7 -- diag. 1
Analisando essa posição, Kasparov constata que o lance da partida, 25 Dc2, assegura uma tranquila superioridade para as brancas. Mas, "meu Deus! O que eu e Anand vimos na ocasião foi que depois de 25 Txa6 Dxc3 26 Txf7 Tg8 a iniciativa das brancas se esfumaria. No entanto, vejam o que nos escapou: 27 Df1! Cd8 (se 27...Txb4? 28 Ta8!+-) 28 Txg7!! Rxg7 (é evidente que se 28...Txg7 29 Df8+ Tg8 30 Df6+ Tg7 31 Dxd8+ Tg8 32 Df6+ Tg7 33 Ta8++-) 29 Txd6! Dxe3+ 30 Rh1 Df4 31 Dxb5 Cf7 32 Td3! Tc8 33 Cb3, ganhando. Uma linha incrível, que eu encontrei apenas depois da partida
.

25 Dc2 h6 26 Dd3 Tb6 27 Tfa1 Tc6 28 T1a3?!
Era muito melhor 28 Txa6 Txc3 29 Dd5!, com grande vantagem -- diz Kasparov
.

28... a5 29 Rh2??
Esse lance, então, é o Oscar da ruindade: o rei branco se posta na exata medida para que as pretas liberem seu jogo, descartando-se do buraco de d5 e, conseqüentemente, da fraqueza de d6.

29... d5! 30 Db5?
Uma desgraça nunca vem sozinha e até parece que o Boss (Kasparov) aproveitou essa partida para se livrar do seu estoque de lances ruins. Ele próprio reconhece que a única chance de remissão das brancas seria seguir com 30 Dxd5 Td8 31 Da2 Txc3 32 Txc3 Dxc3 33 Cf3 Dxe3! (33...axb4 34 Dxf7 Dxe3 35 Dxb7 Df4+ 36 Rh1 Td1+ 37 Cg1 Txg1+ 38 Rxg1 Dc1+ 39 Rh2 Df4+, com empate) 34 Dxf7 Dxe4 35 Ta1 Dd5 36 De7 axb4 37 Ta7 Td7 38 De8+ Rh7 39 Cg5+!, com xeques-perpétuos
.

30... d4! 31 bxa5
É claro que se 31 c4?? Tb6 32 Dd5 Td8, ganhando
.

31 ... dxc3 32 Cb3 (diag. 2) 32... Cc5?
Como no xadrez não cabe o truismo "amor com amor se paga", então esse lance estaria mais de acordo com a máxima latina "abyssus abyssum invocat", ou seja, o abismo atrai o abismo. Senão, Vishy teria jogado 32...c2! e depois disso, Kasparov, além de se abismar, estaria até agora subindo pelas paredes. Ela mesmo confessa que "depois de 32...c2 33 Cc1, a posição ficaria incrivelmente difícil para mim, pois esse peão de c2 é muito perigoso".

33 Tc4 Tb8 34 Dxc6 Dxc6 35 Cxc5 Db5 36 Tcxc3 De2 37 Cd7 Tb2, ½ - ½.
Se as pretas não dispusessem dessa ameaça de mate em g2, obrigando a repetição de lances das brancas (38 Tc8+ Rh7 39 Cf8+ Rh8 40 Cd7+ etc), o peão-a asseguraria a vitória de Garry.


KASPAROV x KRAMNIK (5ª rod. Corus, Wijk aan Zee, 18.01.01 -- Espanhola, C 67)

1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bb5 Cf6 4 0-0 Cxe4 5 d4 Cd6 6 Bxc6 dxc6 7 dxe5 Cf5 8 Dxd8+ Rxd8 9 Cc3 Re8 10 h3 Be7!?
Em análises post-mortem, Kramnik revelou que preparara esse lance (10...Be7) para jogá-lo na 15ª partida do match com Kasparov (Londres, 2000), mas não teve essa oportunidade porquanto Kasparov começou tal partida com 1 d4. Felizmente para Kramnik...

11 Bg5 Bxg5 12 Cxg5 h6 13 Cge4 b6 14 Tfd1! Ce7 15 f4 Cg6 16 Tf1 h5 17 Tae1 Bf5 18 Cg3 Ce7
Se 18...Bxc2 19 f5 Cf8 20 Tf2 Bd3 21 Td2 Ba6 22 f6 g6 23 Cge4, com bastante compensação pelo peão sacrificado (análise de Kasparov).

19 Cxf5 Cxf5 20 Rf2 Cd4 21 Tc1 Td8 22 Tfd1 Re7 23 Ce4 h4 24 b4 Th5? - diag 1 -

25 Cg5?!
Outra oportunidade perdida por Kasparov, porquanto depois de 25 g4!! a torre de h5 teria que voltar a h8 qual um cão sarnento com o rabo entre as pernas, uma vez que se 25 ... hxg3+?? 26 Cxg3 e as pretas estariam perdidas. Doutro modo, Kasparov atingiria seu objetivo, assoberbando-se na ala do rei.

 25 ... Thh8 26 Td3 Ce6 27 Cxe6 Rxe6 28 Tcd1 Td5 29 c4 Txd3

Para sujeitar-se a entrar num final desses, Kramnik deve ter analisado tudo, tudo, tudo -- até a possibilidade de, como soi acontecer em finais de torre (que ninguém conhece), seu adversário cometer algum deslize, desperdiçando assim suas chances de vitória
.

30 Txd3 a5
Se 30...Ta8 31 Rf3 a5 32 b5, com grande vantagem
.

31 bxa5 Ta8 32 Ta3 Rf5 33 Rf3 Ta6!? -- diag. 2
O final de peões seria matematicamente ganho para as brancas, a saber: 33...Txa5 34 Txa5 bxa5 35 c5 a4 36 a3 g6 37 g3 hxg3 38 Rxg3 g5 (38...Re4 39 h4 Rd5 40 Rf3 Rxc5 41 f5! Rd5 42 e6!+-) 39 fxg5 Rxg5 40 e6!! fxe6 41 Rf3! Rh4 42 Re4 Rxh3 43 Re5 Rg4 44 Rxe6 Rf4 45 Rd7 Re5 46 Rxc7 Rd5 47 Rb6 Rc4 48 Rxc6 Rb3 49 Rb5 Rxa3 50 c6 Rb3 51 c7 a3 52 c8=D a2 53 Dh8+-.

34 c5 f6?
Esse lance compromete a posição das pretas e a única possibilidade de escapar seria 34...bxc5!?. E agora, A) 35 Ta4 c4 36 Re3 c5 37 Rd2 Rxf4 38 Rc3 Rxe5 39 Rxc4 Rd6 40 Rb5 Ta8 41 a6 Tb8+ 42 Ra5 (42 Rc4 Rc6=) 42...Rc6 43 a7 Tb5+! 44 Ra6 Tb6+ 45  Ra5 Tb5+, empatando; B) 35 Re3 c4 36 Rd4 Rxf4 37 Tf3+ Rg5 38 Txf7 Txa5 39 Txg7+ Rf5 40 Tf7+! Re6 41 Tf6+ Re7! 42 Tf2 Td5+ 43 Rxc4 Txe5, com grandes chances de empatar
.

35 Te3! Txa5 36 e6 Ta8 37 e7 Te8 38 a4 Rg6 39 Te6 Rf7 -- diag. 3


40
Txc6
?
O próprio Kasparov reconhece que subestimou demais o lance 40 f5!!, que lhe garantiria enormes possibilidades de vitória: A) 40...Txe7 4l Txc6 e aqui, uma necessária trifurcação: A1) 41...bxc5 42 a5 Te5 (42...Re8 43 Te6) 43 Txc7+ Rg8 44 a6+-; A2) 41...Rg8 42 cxb6 cxb6 43 Txb6 Ta7 44 Tb4 Ta5 45 Rg4 Td5 46 Tb2 Td4+ 47 Rh5 Txa4 (47...Rh7 48 Ta2!) 48 Rg6 Ta8 49 Tb7+-; A3) 41...g6 42 cxb6 cxb6 43 Txb6 gxf5 44 Tb4!+-; B) 40...g6 41 Rg4 Txe7 42 Txe7+ Rxe7 43 fxg6 Rf8 44 Rxh4 Rg7 45 Rg3 b5!? 46 a5 b4 47 a6 b3 48 a7 b2 49 a8=D b1=D 50 De8!!+-; C) 40...g5 41 Txc6 Txe7 42 cxb6 cxb6 43 Txb6 Ta7 44 Ta4 Ta5 45 Rg4 e, segundo Garry, em todas essas linhas as brancas têm grandes chances de vitória
.

40... Ta8! 41 cxb6 cxb6 42 Txb6 Txa4 43 Te6 Re8 44 Te4 Ta3+ 45 Te3?! Txe3+! 46 Rxe3 f5!!, ½ - ½.


Numa entrevista concedida à Imprensa ao final desse Supertorneio Corus, o campeão mundial da Fide Viswanathan Anand declarou (como não costuma fazer, ele, tão comedido e sempre tão discreto) que Kasparov foi beneficiado pela sorte, principalmente em sua partida com Timman. É claro que ele não fez nenhuma menção à sua partida com Shirov, na rodada anterior...

SHIROV x ANAND (10ª rod. Corus, 25.01.01).

Nessa posição ganhadora, Shirov, ainda ressabiado pela surra que levou de Anand recentemente em Teerã (3.5 x 0.5), deve ter sido picado pelo prejudicial mosquito aédisestupid, que os capivaras costumam chamar de "qualquercoisaganha". Aqui, com o profilático 37 Td2!, seguido de b3 e Rg2, as pretas não teriam qualquer meio para evitar que mais e mais transparecesse a enorme vantagem que é uma qualidade num final de poucas peças.
Mas, qual o quê! O agora espanhol Shirov, la sangre caliente, quis ganhar na porrada:

37 Tb8? Tc2! 38 T8b7 Bc5 39 Txf7+ Rg6 40 Txh7 Bxf2+ 41 Rf1 Txb2! 42 Th4 Bc5 43 Tc4 Bf8 44 Tc8?
Ainda uma vez, a pressa de Shirov em compensar-se liquidando essa partida impediu-o de ver a melhor colocação: 44 Tg4+! Rf5 45 Tf4+! Re5 46 Tf2!! Tb1+ 47 Rg2, conservando as chances de vitória.

44... Bd6 45 Tc6 Be5 46 Txa6 Rf5 47 Tbb6 Re4! 48 Txe6 Txh2 49 Txf6, ½ - ½.


No dia seguinte, ocorreu o deslize mencionado por Anand.

KASPAROV x TIMMAN (11ª rod. 26.01.01)

Aqui, Kasparov jogou a imprecisão de 27 e4? e ele mesmo reconheceu que era necessário, isso, sim, 27 h6! g5 28 Bh2 f5 29 gxf5 Dxf5 30 e4, com uma posição complicada, mas bem ao seu gosto. Seguiu:

27... dxe4 28 Txe4 Txe4 29 Txe4
Em suas análises, Kasparov deixou escapar que após 29 fxe4, que seria esplêndido se pudesse ser feito, seguiria 29...Cb2! 30 Dd2 Dxg4 31 Dxb2 Dxf4 32 Dxb7 Te6 e as pretas estariam muito bem
.

29... Bd5
No caso do sempre perigoso 29...Cb2!?, Garry pretendia partir para o sacrifício, com 30 De2 Cxa4 e agora, 31 Te7!? Dxd4+ 32 Be3, com uma posição incômoda... para ambos os lados!

30 Te2 Tc8?
Aqui,
Timman
já começou a afrouxar sua vantajosa tensão. Análises posteriores indicavam a objetividade de lances como 30...h6 ou 30...Te6.

31 h6 g5 32 Bg3 Te8?
Aí está nossa indignação: se era para oferecer trocas, por que não direto 30...Te6. São pecadilhos assim que levam qualquer um do paraíso ao inferno antes mesmo que alguém consiga dizer Massachusetts
.

33 De1 Txe2 34 Dxe2 Rf8?!
Outro ponto frouxo, quando era melhor movimentar sua maioria com 34...b5.

35 Dd3 Cb6?
Mais uma vez, era fundamental fazer algo de positivo, como explorar a maioria de peões na ala da dama.

36 a5 Cc4 37 Bf1
E agora, um apurado Timman percebeu que nem o peãozinho de a5, que ele tanto perseguiu, pode ser tomado...

37... De7 38 Dc3 De3+ 39 Dxe3 Cxe3 40 Bd3 Cc4 41 Bel Rg8 42 Rf2
Mesmo que a posição seja de igualdade, observem que agora Garry dispõe de uma peça extra para jogar -- seu rei. Ainda assim, ele vai precisar de um pouco mais da "colaboração" de Timman para vencer
.

42... b5??-- diag. 2
Exatamente quando não devia fazer é que Timman faz o lance que antes tanto reclamamos. Impunha-se 42...b6! 43 axb6 Cxb6 44 Ba5 (44 Bxa6 Bc4 45 Bb7 Bd5! 46 Ba6 Bc4 47 Bxc4 Cxc4=) 44...Cc4 45 Bd8 a5 46 Bxf6 a4 47 Be7 (47 Bxg5 a3 48 Bxc4 Bxc4 49 Bc1 a2 50 Bb2 Rf7=)
47...a3 48 Bxc4 Bxc4 49 Bxa3 Rf7=.

43 Bb4!!
Ainda bem que cavalo de xadrez não relincha seu desespero, senão Timman ia ouvir coisas proibidas até nos cinemas da boca do lixo. Ele conseguiu transformar seu magnífico pégaso num pangaré de várzea, ouro em merreca. As pretas estão perdidas. Incrível!

43... Cb2 44 Bf5! Bc4
Vejam a tragédia: se agora 44 ... Bb7 (impedindo 45 Bc8), então, 45 Be6+! Rh8 46 Bf8 e mate a seguir.

 45 Re3 Bd5 46 Bc8 Cc4+ 47 Re2, 1-0.

Toda partida de xadrez tem sua correspondente cota de capivaradas, mas é sempre bom não abusar desse vexatório direito.

 

 

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