: : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :  WCC ou WC?  : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :


 

(World Chess Championship ou Water Closet?)

 

        O vergonhoso match entre Kramnik e Topalov, realizado em Elista, na Kalmikia (setembro/outubro, 2006) serviu pelo menos para demonstrar que o atual presidente da Fide, tal qual o seu antecessor, não detém a necessária autoridade nem o elementar discernimento que se era de esperar do supremo mandatário do xadrez mundial.

        A festiva equipe búlgara que assessorava o então campeão da Fide, Veselin Topalov, era capitaneada por Sílvio Danailov, que se fazia acompanhar de três segundos e cinco macumbeiros. Enquanto isso, um desolado Vladimir Kramnik tinha de se valer de três segundos e dois profissionais de saúde. Ainda assim, o verdadeiro campeão do mundo (Kramnik) mantinha-se imbatível até a quarta rodada, quando vencia por 3 a 1, fruto de duas vitórias e dois empates.

        Os italianos têm uma expressão que define muito bem o que se deve fazer quando uma situação nos favorece: “non movere!”, ou seja, não altere nada do que se está passando. Como se , um conselho incompatível com a linha de conduta do staff de Topalov, principalmente se lembrarmos que no match de sua consagração contra Garry Kasparov, em 2000, Kramnik venceu duas partidas e empatou 14. Em outras palavras, nem o melhor jogador do mundo conseguiu quebrar-lhe a invencibilidade.

        Diante disso, na véspera da 5ª rodada, Danailov apresentou uma denúncia gravíssima contra Kramnik, não apenas insinuando serem suspeitas as suas contínuas idas ao retrete, mas até enumerando-as:

        1) Depois de cada jogada, o Sr. Kramnik dirige-se à sala de descanso e de vai diretamente ao retrete. Durante cada partida, visitou a sala de descanso uma média de 25 vezes e o retrete, 50 -- observando-se também que o retrete é o único lugar sem vídeo de vigilância;

        2) Ao contrário do Sr. Kramnik, o campeão mundial Veselin Topalov passa a maior parte de seu tempo sentado à mesa de jogo. A média de suas visitas à sala de descanso tem sido de 8 vezes, e ao retrete, 4.

        Em seguida, Danailov apresentou um registro estatístico das gravações da câmera na sala de descanso durante a terceira partida:

        15.54 Kramnik joga seu 15º lance;

        15.55 Ele entra no retrete;

        15.56 Ele sai do retrete;

        15.57 Ele entra no retrete;

        15.59 Ele sai do retrete;

        16.03 Ele entra no retrete;

        16.04 Ele sai do retrete;

        16.07 Ele joga seu 16º lance.
 

        (Um lance de merda, é de se supor)
 

        E Danailov continuou em seu arrazoado insano:
 

        “O comportamento do Sr. Kramnik é muito similar em todas as partidas jogadas até agora. Daí, surge uma pergunta lógica (?!): quantas vezes um jogador necessita ir ao retrete durante uma partida e com qual regularidade? A resposta também é lógica: entre 5 e 10 vezes no máximo, mas não 50, como demonstra a estatística das partidas jogadas até agora”.

        (Como se observa, Danailov nunca ouviu falar da feijoada do Tião Jibóia...)

        A choradeira persistiu, instigante: “Gostaria de lembrar uma vez mais de que o retrete é o único lugar sem vigilância de áudio ou vídeo. Em nossa opinião, esses fatos são bastante estranhos, para não dizer suspeitos.

        Com relação ao exposto e para assegurar as melhores condições de jogo limpo, descartando assim qualquer suspeita, exigimos: que cesse o uso das salas de descanso e dos retretes adjacentes por parte de ambos os jogadores. Se um jogador necessitar de ir ao retrete, poderá usar um retrete público, mas tão somente com a permissão do árbitro e acompanhado por um árbitro assistente”.

        (Nem mesmo o mais radical torcedor corinthiano demonstraria tamanho ódio aos árbitros auxiliares!)

        E o distinto prosseguiu com sua peça escatológica:

        “O Comitê Organizador deveria apresentar as fitas de vídeo das salas de descanso a todos os periodistas credenciados no Centro de Imprensa, de maneira que ele possam verificar a veracidade do que nós afirmamos”.

        (Não se assustem, se um dia desses, passando pela Praça da República, vocês ouvirem um camelô oportunista apregoando: “Vamos, vamos minha gente, são 5 reais, top de linha, podem escolher: temos O ousado banho de Daniela ou, se preferirem, A sonora cagada de Vladimir”)

        A verdade, porém, a brutal verdade é que tal match devia se ter acabado nesse dia. Das duas, uma: ou era verdade o que Danailov alegava e Kramnik seria imediatamente desclassificado, ou era mentira -- e nesse caso Topalov ficaria impedido de continuar a contenda.

        Na segunda partida desse malsinado match, aconteceu uma posição rara em disputas pelo cetro máximo e que se constituiu num verdadeiro show de capivaradas de ambos os jogadores. No 31º lance das pretas, Kramnik jogou 31...Bxf8?? e devia abandonar depois de 32 Txg4+ Bg7 33 Dc7, porquanto entregando a dama inteirinha as pretas escapariam do xeque-mate. Topalov não viu e, em seguida, jogando um final completamente empatado, mas com uma competência sul-americana, terminou por ser derrotado.

        A pergunta que fica no ar é esta: quem não gostaria de ter um adversário que, durante uma partida, consultasse um programa traíra de xadrez, induzindo-o ao erro e causando-lhe a derrota?!!

        O que se viu em Elista, com a baixaria patrocinada por Silvio Danailov e seu séqüito de deslumbrados, fere frontalmente a dignidade de todos os enxadristas do mundo. Kramnik tampouco fica isento dos protestos gerais, uma vez que os U$ 500 mil dólares, correspondentes à sua participação, fê-lo engolir seu orgulho e prosseguir no match, legitimando assim essa pantomima abominável.

        O resultado final desse match todos sabem: o xadrez foi o único derrotado.

        Ah, uma última observação: Kramnik gosta de mulher.

 

  

 

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